dimanche 3 mars 2013

OLHAR


É com grandes olhos que todos olham para mim
Como se eu fosse um bicho de um outro mundo,
Com um olhar desmesuradamente profundo.
Não gosto que me olhem tão descaradamente assim.

Toda a vida vivi isolado, receando a maioria das pessoas,
Vivendo como um recluso, um pária ou um ermita
Mas ninguém me alimenta, ajuda a preencher a marmita.
Sempre rodeado de creaturas falsas, que nunca foram boas.

Não pedi a ninguém para nascer, lá isso não tampouco,
Também não peço a ninguém que me chatei, só quero paz,
Poque desde que me revolto tratam-me logo de  mau rapaz
É desta forma que se perde o juízo, se chega a louco.

Tenho o sentimento por vezes que sou bastante inteligente,
O contrário acontece noutros momentos aborrecidos
Dois estados de alma opostos, contráriamente  parecidos,
Incompreensíveis para a maioria, de quase toda a gente.

Por isso a essa gente peço de desviar o olhar para outro lado,
Porque detesto que me olhem assim dessa maneira, de través,
Porque no meu pobre cérebro, cada contrariedade, cada revés,
Dá-me um sentimento de ser vítima, um ser maltratado.

O Mundo é longe de ser perfeito, mas há quem o creia ser
A realidade e o sonho vivem em polos diametralmente opostos
Entretanto sentimentos são como idéias, paladares ou gostos
Será sempre assim até ao fim da vida, quando a gente morrer.

O destino para uns é fatal, para outros programado desde o nascer
Para uns, lágrimas, desgostos , chorar, o que aos outros não acontece.
Para os primeiros tudo o contraria, tudo o chateia e aborrece
Enquanto para os outros tudo é vida de amor, riqueza e prazer.






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