mardi 4 décembre 2012

Porque...


Para quê comermos se amanhã teremos fome ? Para quê bebermos se a sede vai voltar ?  Para quê nos lavarmos se amanhã estaremos de novo sujos ? Para quê mudarmos de governo para irmos ficar na mesma ?
Afinal é o movimento que faz com que o mundo se mexa. Se ficarmos parados, poderemos apodrecer, o mundo acabar. Paralisia, inércia são ineficazes e desnecessários, primos do abstrato, amigos e próximos da morte. A pessoa que nunca se manifesta demonstra aceitar todas as más condições às quais está sujeita, pessoa inactiva, desprovida de carácter, simples trapo, animal irracional, cordeiro obediente. Pessoa que conta somente com a ação alheia, que compartilha os bens do outro, que não compartilha os seus, porque egoista, besta estúpida, bocado de carne.
Sozinho ninguém consegue fazer nada, porque o indivíduo vive em sociedade ele deve ser sociável, agir em conjunto com os seus semelhantes, lutar pela mesma razão, como a abelha da colmeia, o melhor exemplo ; como a formiga laboriosa, como a manada de búfalos.
Os animais escolhem um chefe forte que cede o lugar a um outro que é mais forte ainda. Quando este enfraquece, é outro que vai para o lugar. A abelha e a formiga têm chefes produtivos ; o homem tem chefes que lhes roubam o produto coletivo. Dizem o homem racional ? Por quais razões então que o  animal que não o é, tem menos problemas sociáveis ?
Porque não imitaríamos nós os animais, depondo chefes deficientes e ineficazes, quando estes se encontram na ilegalidade, quando estes roubam, quando eles não fazem corretamente o seu trabalho, quando estes já se encontram ultrapassados pela actualidade ?
Não o podemos fazer actualmente por a Constituição não o permitir. Mudar a Constituição ? Quando ? Como ? Fazendo pressão de uma maneira ou outra sobre o Governo, escolhendo verdadeiros deputados. Necessária uma revolução ? Pacífica ? Viril e musculada ?
Ai pobres dos Portugueses, ai pobre daquele que espera que tudo lhe caia do céu. Pobre também de mim, de ti, daquele ! A porta da saída está fechada à chave, desconhe-se onde se encontra, alguém haverá de a encontrar mais cedo ou mais tarde. Soluções existem, porque como dizia alguém : todos os problemas têm soluções. Mas onde e quando encontrá-las ?
Um diálogo de surdos ? após uma eleição, as palavras  ditas ao avesso, uma reviravolta, uma mentira sobre outra a mais. Perjura, felonia,  traição ! 
Que importa outra coisa que não sirva a sua única e simples  ambição. O poder a não importa o preço, mesmo se este tempera no suor e no sangue.
Qualquer que seja a cor política de um ator, de um protagonista, o seu rumo é idêntico ao do seu  adversário, o do cata-vento, a voz de orador parecida com a do papagaio, a cor como a do camaleão : tagarelar, chalrear.
O espetador desorienta-se, não compreende o discurso, ensurdece, esmouca-se. Olha para ao céu, para  a terra, para os lados, desamparado. Acende a televisão : vê as mesmas caras ; abre a rádio : houve as mesmas vozes ; abre o jornal : lê as mesmas palavras. Televisão ao serviço do Estado, que não o compreende a ele e ele tampouco a compreende a ela ; rádios e jornais politizados, endoutrinados, de dominação religiosa e sectária. Outros órgãos que se dizem literadores dificultam-lhe a vida. O espetador votante foi iludido, como todos aqueles que acreditavam. Já não era a primeira vez que se enganara. Nem a segunda. É sempre assim, palavras são palavras, as promessas raramente ou nunca cumpridas.

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