Todos nós tinhamos uma grande esperança logo da entrada de Portugal
na União Europeia nos anos oitenta. Prometiam-nos o progresso, a entrada numa grande família e no mundo dos
ricos, um desenvolvimento comum ao qual participaríamos.
Foi tudo
muito lindo ao início, num País no qual o parque automóvel era quase na sua
totalidade de segunda mão, no qual a democracia vinha apenas de ser implantada.
Que grandes perspetivas se depairavam então perante os nossos
concidadãos, dos quais uma grande percentagem pertencia ao mundo rural e que
com esta oportunidade conseguiam recuperar latifúndios afim de as transformarem
em explorações agrícolas modernas. Formaram-se nestas disciplinas graças a
subsídios vindos do exterior e graças à utilização de novas technologias e de
novo material. Houve mesmo certos abusos de profitadores de uma nova intituição
sem regras verdadeiramente fundadas. A Administração fornecia ajudas
subsidiárias sem um contôlo profundo da situação dos examinandos e com uma
enorme falta de rigor.
Os nossos dirigentes políticos só viam o futuro com
perspetivas para as suas carreiras profissionais para as quais nem todos
estavam corretamente formados. Sabiam perfeitamente que mais cedo ou mais tarde
haveria alguém com uma dívida nos braços contraída por eles próprios, mas
porque isso lhes importava pouco visto que depois das regras republicanas e
democráticas haveria poucas chances para que eles respondesem por esses erros.
Eles sabiam perfeitamente que lhes seria difícil um segundo mandato ao fim de
quatro ou cinco anos e pensariam então que seria aos seus sucessores de se
desenrascarem.
Para a maior parte dos Portugueses abriam-se então
grandemente as portas aos créditos, novas chances para comprarem uma casa nova
ou um carro de último grito. Que importava se não possuiam dinheiro, se os
bancos lho emprestavam com baixas taxas de juro e com poucas garantias ?
Os trabalhadores reclamavam direitos e o Estado de então
atribuia-lhe certos privilégios – não a todos – como subsídios de Natal ou de
férias. No lugar de aumentarem os salários e as pensões recém-criadas para
alguns, atribuiram-lhes um décimo terceiro e um décimo quarto mês, o que é um
disparate para um País cuja solidez é fraquísima. Mesmo países como a França
não atribuem estes « meses complementares a reformados ou a pessoas em
busca de emprego ». E com se viu em seguida, estes complementos são
fácilmente suprimidos em períodos de crise, o que não aconteceria se estas
pessoas tivessem salários decentes. Mas como os ministros e os deputados sá
pensam em agradar a quem votará neles não se preocupam nunca com as realidades
e as necessidades absolutas dos habitantes e das instituições do País.
A abertura das fronteiras foi um sucesso para a sociedade
portuguesa, que tinha enormes dificuldades fronteiriças com os vizinhos
europeus e outros. Acabou-se com a mesma a guloseima de uma parcial mafiosa
alfândega terrestre, que só ia ver as malas de quem não oferecia a sua « garrafinha
de azeite », cujos membres viveram uma feliz época com o desfruto de um
tal tráfico.
A entrada na moeda única conjuntamente com os outros
parceiros europeus prometia maravilhas para o futuro, o que inicialmente foi
verdade ao terminar com o negócio bancário e escandaloso dos câmbios. Os
corretores compravam a um preço e vendiam a outro desproporcionadamente,
amassando assim fortunas enormes nas costas do infortunado viajante. Mas a
economia já estava minada no interior e políticas desprovidas de rigor e
incontroladas continuaram a aumentar as feridas d’uma úlcera já num estado
final.
Criticar é muito fácil, porém. Ver a realidade em face e
encontrar verdadeiras soluções é muito diferente. O pior é que soluções existem
e ninguém as quer aplicar por interesse próprio : a si mesmo, ao setor bancário do seu país, à
economia própria ao seu mesmo país.
A política de austeridade aplicada da forma que o é
actualmente, é um fator perigosíssimo. Além da discriminação « racial »
entre o norte e o sul, ela enriquece os primeiros afim de empobrecer os segundos. Os países do norte emprestam aos do sul a taxas
indecentes, e as pessoas que detêm capitais no sul fogem com eles para o norte.
Os cérebros fogem igualmente as zonas pobres para irem para as mais
ricas. Finalmente no Globo tudo é assim : é sempre o sul quem « paga
as favas ». O hemisfério norte é rico enquanto que o hemisfério sul é
pobre ; a Itália do norte acusa a do sul de ser mandriona por ela ser mais
pobre ; toda a gente conhece o resultado da Guerra de Sucessão dos Estados
Unidos ; tudo o que se encontra ao sul é sempre mais pobre, porque razões ?
Mas para vir sobre a austeridade, esta só causou e continua a causar danos e distúrbios e se não fizerem cuidado
poderá desaguar em guerras sócio-culturais, religiosas e mesmo raciais. A
Grécia encontra-se perto d’uma guerra civil, Portugal encaminha-se para lá por
estes andares, a Catalunha quer a independência da Espanha, o País Basco já a
reclama há muito tempo. O Governo
espanhol ameaça abandonar a moeda única se tal for o caso… e ninguém tenta
mudar o leme às coisas ? Só “chupa-chupa” do FMI e a sua dominação ao serviço da
senhora Merkel, com utilização de armas a defragmentação como a troika ?
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