dimanche 25 novembre 2012

Aonde vamos.


Todos nós tinhamos uma grande esperança logo da entrada de Portugal na União Europeia nos anos oitenta. Prometiam-nos o progresso, a entrada numa grande família e no mundo dos ricos, um desenvolvimento comum ao qual participaríamos.
Foi tudo muito lindo ao início, num País no qual o parque automóvel era quase na sua totalidade de segunda mão, no qual a democracia vinha apenas de ser implantada. Que grandes perspetivas se depairavam então perante os nossos concidadãos, dos quais uma grande percentagem pertencia ao mundo rural e que com esta oportunidade conseguiam recuperar latifúndios afim de as transformarem em explorações agrícolas modernas. Formaram-se nestas disciplinas graças a subsídios vindos do exterior e graças à utilização de novas technologias e de novo material. Houve mesmo certos abusos de profitadores de uma nova intituição sem regras verdadeiramente fundadas. A Administração fornecia ajudas subsidiárias sem um contôlo profundo da situação dos examinandos e com uma enorme falta de rigor.
Os nossos dirigentes políticos só viam o futuro com perspetivas para as suas carreiras profissionais para as quais nem todos estavam corretamente formados. Sabiam perfeitamente que mais cedo ou mais tarde haveria alguém com uma dívida nos braços contraída por eles próprios, mas porque isso lhes importava pouco visto que depois das regras republicanas e democráticas haveria poucas chances para que eles respondesem por esses erros. Eles sabiam perfeitamente que lhes seria difícil um segundo mandato ao fim de quatro ou cinco anos e pensariam então que seria aos seus sucessores de se desenrascarem.
Para a maior parte dos Portugueses abriam-se então grandemente as portas aos créditos, novas chances para comprarem uma casa nova ou um carro de último grito. Que importava se não possuiam dinheiro, se os bancos lho emprestavam com baixas taxas de juro e com poucas garantias ?
Os trabalhadores reclamavam direitos e o Estado de então atribuia-lhe certos privilégios – não a todos – como subsídios de Natal ou de férias. No lugar de aumentarem os salários e as pensões recém-criadas para alguns, atribuiram-lhes um décimo terceiro e um décimo quarto mês, o que é um disparate para um País cuja solidez é fraquísima. Mesmo países como a França não atribuem estes « meses complementares a reformados ou a pessoas em busca de emprego ». E com se viu em seguida, estes complementos são fácilmente suprimidos em períodos de crise, o que não aconteceria se estas pessoas tivessem salários decentes. Mas como os ministros e os deputados sá pensam em agradar a quem votará neles não se preocupam nunca com as realidades e as necessidades absolutas dos habitantes e das instituições do País.
A abertura das fronteiras foi um sucesso para a sociedade portuguesa, que tinha enormes dificuldades fronteiriças com os vizinhos europeus e outros. Acabou-se com a mesma a guloseima de uma parcial mafiosa alfândega terrestre, que só ia ver as malas de quem não oferecia a sua « garrafinha de azeite », cujos membres viveram uma feliz época com o desfruto de um tal  tráfico.
A entrada na moeda única conjuntamente com os outros parceiros europeus prometia maravilhas para o futuro, o que inicialmente foi verdade ao terminar com o negócio bancário e escandaloso dos câmbios. Os corretores compravam a um preço e vendiam a outro desproporcionadamente, amassando assim fortunas enormes nas costas do infortunado viajante. Mas a economia já estava minada no interior e políticas desprovidas de rigor e incontroladas continuaram a aumentar as feridas d’uma úlcera já num estado final.
Criticar é muito fácil, porém. Ver a realidade em face e encontrar verdadeiras soluções é muito diferente. O pior é que soluções existem e ninguém as quer aplicar por interesse próprio : a  si mesmo, ao setor bancário do seu país, à economia própria ao seu mesmo país.
A política de austeridade aplicada da forma que o é actualmente, é um fator perigosíssimo. Além da discriminação « racial » entre o norte e o sul, ela enriquece os primeiros afim de  empobrecer os segundos. Os países do norte emprestam aos do sul a taxas indecentes, e as pessoas que detêm capitais no sul fogem com eles para o norte. Os cérebros fogem igualmente as zonas pobres para irem para as mais ricas. Finalmente no Globo tudo é assim : é sempre o sul quem « paga as favas ». O hemisfério norte é rico enquanto que o hemisfério sul é pobre ; a Itália do norte acusa a do sul de ser mandriona por ela ser mais pobre ; toda a gente conhece o resultado da Guerra de Sucessão dos Estados Unidos ; tudo o que se encontra ao sul é sempre mais pobre, porque razões ? Mas para vir sobre a austeridade, esta só causou e continua a causar  danos e distúrbios e se não fizerem cuidado poderá desaguar em guerras sócio-culturais, religiosas e mesmo raciais. A Grécia encontra-se perto d’uma guerra civil, Portugal encaminha-se para lá por estes andares, a Catalunha quer a independência da Espanha, o País Basco já a reclama há muito tempo. O Governo espanhol ameaça abandonar a moeda única se tal for o caso… e ninguém tenta mudar o leme às coisas ? Só “chupa-chupa” do FMI e a sua dominação ao serviço da senhora Merkel, com utilização de armas a defragmentação como a troika ?

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