mercredi 31 octobre 2012

RADIO - AS DE COEUR

RADIO - AS DE COEUR

vendredi 19 octobre 2012

Pobre língua


Pensava eu escrever em português muito mal
Mas vejo no facebook que há ainda muito pior
Gente que uma única frase é incapaz de compor
Pobre da nossa língua, pobre do nosso Portugal.

Muita gente que frequentou o liceu e a universidade
Escrever textos precisando muita correcção
Talvez para fazer moderno e elegante, alguns dirão
Incompreensível :  nunca vi burrice ser vaidade.

E o pior está muitissimo longe,  está para vir ainda
Mais um desvairo dos políticos e literatos portugueses
A nossa língua transformando-se, cada vez menos linda.

Não sei porquê, mas tenho o pressentimento por vezes
Que em certos núcleos é mal recebida, não é avinda
Por quem só queira um mundo de  americanos e ingleses.

samedi 13 octobre 2012

Enganado


Andei toda a vida enganado
Por gostar de ouvir bem falar
De todo orador muito escutar
Pobre de mim coitado.

Havia um certo Oliveira Salazar
Que passava a vida a mentir
Eu gostava imenso do ouvir
Portanto estava-me a enganar.

Ensinavam-me a geografia e a história
Falavam –me dos nossos antepassados
Dos países por eles conquistados
Com muita batalha, muita vitória.

Inculcavam-me uma noção de  heroísmo
Assim que a de orgulho e de grandeza
De pertencer à Nação portuguesa
Encheram-me a alma de patriotismo.

No 25 de abril parti para outro país
Para não voltar para o Ultramar
Donde eu acabara apenas de chegar
Não sei se foi uma coisa boa que fiz.

Disseram-me que era injusta esta guerra
Que estava a decorrer no Ultramar
Então para lá não ir parar
Tive que partir da minha Terra.

Encontrando-me então em França
Onde de mim ninguém gostava
Num melhor futuro sempre sonhava
Até que perdi a esperança.

Quando tudo parecia  ir pelo melhor
Recuperei o orgulho de ser português
Mas haviam-me mentido outra vez
Puzeram o País ainda muito pior.




vendredi 12 octobre 2012

Suite accueil

Suite accueil

AU CINÉMA

AU CINÉMA

Incôngruidade


Acho incôngruos os comentários de pessoas pretendidas democratas mas que utilizam um vocabulário oriundo da selva : suponho que não foram criados aí. Não quero dizer que todas as pessoas oriundas da mata sejam malcriadas, isto é apenas  imagem, metáfora.
Vejo nalgumas páginas de fóruns muitos fascistas criticarem, acusando democratas de fascismo, quando eles mesmos eram os primeiros colaboradores e denunciadores de democratas, quando o fascismo reinava. Vejo igualmente antipartidários fazeram a propaganda de partidos, pior ainda, de instituições de desigualdade, gritarem aos quatro ventos que são antianarquistas quando eles demonstram o contrário.
Ainda não vi isso em França, que é portanto reconhecida como um dos berços da democracia moderna. Todos podem criticar em público mas sem difamação : quando uma pessoa afirma uma coisa deve confirmá-la ; uma pessoa nunca deve tratar outra públicamente de nome de « pássaro » ou de falar da vida privada de fulano ou beltrano. Se o indivíduo é visado, risca de se encontrar perante um tribunal por difamação, vai ter tempo em seguida de refletir ao seu procedimento.
Entretanto, temos o direito e o dever de criticarmos os políticos, de podermos caricaturar as pessoas públicas.
Portugal e os Portugueses encontram-se numa situação de desespero : não se pode pedir aos habitantes muito civismo em tais situações. Quem tem fome pede de comer, se ninguém o ouvir : grita. É a última maneira de se fazer compreender.
Muitos pensam que tudo é muito melhor nos outros países europeus, o que para certas coisas o é evidentemente. Que pensar então da França onde os pais não têm direito de dar dinheiro aos filhos, se o tiverem (limitado actualmente a 100 mil euros sem impostos), onde os filhos devem pedir dinheiro emprestado ao banco afim de poderem receber a herança que os seus pais eventualmente lhes legaram ? Gabam muito o sistema de saúde inglês : porque vêm então os Ingleses tratarem-se na França, alegando profitar do sistema francês ? Os impostos são exorbitantes em muitos países europeus ricos, os habitantes vivem bem neles, certo, mas em troca duma certa liberdade que lhes é retirada.
Os Americanos são muita vez criticados pels Europeus. Mas os Americanos não admitem a socialização do seu País. Um socialista é desconsiderado aí, baixado ao nível de comunista. E como toda a gente sabe, o comunismo foi “caça” para o cowboy Americano. Mas eles também têm as suas razões internas, pretendem guardar uma liberdade que lhes havia sido negada na Europa quando os seus antepassados emigraram para lá.
Uma vez que se fala de criticar os Americanos, estes são visados por possuirem armas de grande calibre. Mas afinal também há assassinatos na Europa onde tais armas são proibidas : então ? E na América quem comete um crime grave vai para a prisão para o restante dos seus dias, enquanto na Europa deixam sair os criminosos que são um risco para a sociedade, a qual eles vão certamente molestar à mínima oportunidade ou em caso de desespero.

mercredi 3 octobre 2012

Sem mestre


Há quem tenha os olhos vendados
Simplesmente porque não quer  ver
Portanto outros com eles destapados
Não vêm o que o outro não quer.

No mais profundo do subconsciente
Numa região sem nenhuma fronteira
Ainda existe muitissima gente
Que só quer ver à sua maneira.

O realismo para alguns é medonho
Para outros uma crua verdade
Semelhante a um enorme sonho
A que eles assimilam com maldade.

Muitos sem o quererem foram educados
Confundidos com simples cordeiros
Continuamente e bem acorrentados
Pelos seus  pastores ou vaqueiros.

Assim como simples cabresteiros
Continuam nas pegadas do seu senhor
Pensando que só seus ditos são verdadeiros
Dedicando-lhe todo o seu amor.

Refusando ver em face a realidade
Vêm de longe desde pequeninos
Pensando que a pura e única verdade
Está escrita nos seus destinos.

Ai povo, libera-te, quebra a tua corrente
Abre teu espírito, escuta a voz da razão
Porque o  mestre por vezes também mente
Para te dominar, te ter sob a sua mão.



mardi 2 octobre 2012

Caminhos




                                          

Pensamos


Por vezes pensamos ser alguém, seres superiores próximos dos deuses, habitando num mundo que não é o mesmo de outrém. Mas quão enganados estamos afinal, porque não somos ninguém. Afinal seres animados ao serviço de  grupos que nos dominam, porque para nós, filhos do povo, nada mudou depois da idade da pedra.
A raça dos senhores predomina, o povo obedece e crê que tudo é bom assim por sempre haver obedecido. E torce a espinha no que não lhe pertence porque julga fazer o seu dever, por seus antepassados assim haverem sempre  feito. Os “outros” enviam-no à guerra matar quem ele não conhece nem nunca conheceu e que nunca conhecerá se ele o mata. Um inimigo que também o quer matar a ele porque assim foi domesticado.
Somos afinal o contrário daquilo que pensamos ser, os nossos pares encontram-se no sentido oposto, são eles que nos oprimem quando pretendíamos oprimir, são eles os governantes quando pensávamos que o éramos. Pensávamos ser os mais fortes ? – Somos os mais fracos. Pensávamos ser os melhores ? – Somos os piores !
O Universo é feito de átomos, a espécie humana é feita de homens e de mulheres : uns que são maiores, outros que são menores ; uns que são fortes, outros que são fracos. Há aqueles que são inteligentes e aqueles que o são igualmente mas que se calam. Calam-se por serem justamente mais inteligentes que os outros que se querem meter em evidência, que finalmente ganham e dominam os do outro grupo  simplesmente graças à velhaquice.
E eis pois a raça de dirigentes, que impõem a outrém o que eles não se impõem a eles próprios. Organizam-se em bandos, adaptam a atitude dos lobos dos quais eles são próximos. Promulgam leis que eles não respeitam mas que os outros devem respeitar, fazem a caça a quem não lhes obedece, castigam-no injustamente. E a sociedade crê que o castigo é justo, e a sociedade espezinha-o, e a sociedade abandona-o e lança-lhe pedras. Pobre sociedade que não compreendeu nada !
Depois chegam os tempos das democracias, eras modernas contra eras de outros tempos. O povo continua a sofrer e a ser explorado pelo que diz não ser do povo, e o filho do povo que ganha em galões não é mais do povo ; assim ele o diz, assim ele o decreta, assim ele trai, morde a mão de quem o alimentou, muda de campo. Estuda livros que os seus mestres escreveram, vê o mundo sob o ponto de vista dos seus mestres porque ele mesmo não sabe nem quer ver.