vendredi 28 décembre 2012

Injustiça


Veronica Lario, ex-esposa de Silvio Berlusconi, receberá três milhões de euros por mês após o seu divórcio contra o antigo chefe de estado italiano, o que corresponde a 100 000 euros por dia. E teria sido ela a haver pedido o divórcio após haver declarado que não podia continuar a viver com um homem que frequenta menores.Lêem-se igualmente muitos casos semelhantes na imprensa diária, sobretudo nos artigos sobre o mundo financeiro, desportivo, do cinema e outros « people ».Não vejo muita gente preocupar-se com este généro de situações, sobretudo numa época onde tudo vai mal para os pobres. Sempre ouvi estes aplaudirem : " Viva el-rei ! esquecendo as suas próprias misérias, enaltecendo aqueles que lhes escarram, cospem em cima, espezinham !   Pobre e miserável povo adorador de vitelas douradas, adulador de ídolos efeméricos, de chefes ditadores e sanguinários. Pessoas morrendo de fome compartilhando seu pão com o seu ladrão, com o seu espoliador. Sem compaixão para com quem sofre, carinhoso para com os ricos, para quem coberto de ouro. Será pelo brilho etincelante do ouro que ele apenas distingue através os refletos de luz, porque fora de alcance ?Milhões de euros contra milhões de sofrimentos, milhões de espaços contra algumas dezenas de metros, exiguidade extrema  para famílias inteiras e numerosas, dezenas de fortunas contra milhares de mlhões de miseráveis…Será que ainda existe Deus, ou será que Niesztche dizia verdade na sua filosofia ?Não sei se haverá gente para compreender a complexidade da minha maneira de me exprimir assim e aqui. O que é certo é que muita gente se refusa certamente a isso por espírito contraditório, outra por aceitar estas situações e tantas outras similares, outra, talvez, por pensar que a conversa é desprovida de sentido, talvez outra gente ainda não compreenda o coração da mensagem ; e talvez outra gente com cegueira de carácter religioso, político ou outro.Quando se fala em riquezas esquecem-se as pobrezas, quando se fala em reis e príncipes esquecem-se os necessitosos e os doentes. Curam-se males com homeopatia, mordeduras de serpente, de lacraus ou de aranhas com o próprio veneno destes.E o povo continua entretanto a sofrer, como cordeiros atacados pelo lobo, sem ousar revoltar-se, lamentando-se sobre a sua triste sorte, dizendo apenas que não está contente, mas lambendo a mão de quem lhe bate com o varapau.

mercredi 19 décembre 2012

Leilão


LEILÃO !
Países à venda para pagar os salários aos ministros
Que quando na reforma fogem para o estrangeiro
Homens fúnebres, velhacos, de pensamentos sinistros
Que desaparecem com o nosso já pouco dinheiro.

Desterraram toda a nossa rapaziada, todos os estudantes
Que enviaram para o estrangeiro, fizeram emigrar
E ficaram todos contentes, porque os válidos bem distantes
No País não há muito mais ninguém para contestar.

À venda a TAP, a EDP, a CP e todos os aeroportos
À venda todo o pouco que pode ser vendido
Vendem a alma ao diabo, mesmo  as dos mortos
Vendem mesmo tudo o que não tem sentido.

Endividaram o País, fugiram com o dinheiro
Prepararam suas reformas, para que um dia talvez
Quando velhos partam eles então para o estrangeiro
Quando em Portugal não houver nenhum Português.

LEILÃO

LEILÃO

mardi 4 décembre 2012

Porque...


Para quê comermos se amanhã teremos fome ? Para quê bebermos se a sede vai voltar ?  Para quê nos lavarmos se amanhã estaremos de novo sujos ? Para quê mudarmos de governo para irmos ficar na mesma ?
Afinal é o movimento que faz com que o mundo se mexa. Se ficarmos parados, poderemos apodrecer, o mundo acabar. Paralisia, inércia são ineficazes e desnecessários, primos do abstrato, amigos e próximos da morte. A pessoa que nunca se manifesta demonstra aceitar todas as más condições às quais está sujeita, pessoa inactiva, desprovida de carácter, simples trapo, animal irracional, cordeiro obediente. Pessoa que conta somente com a ação alheia, que compartilha os bens do outro, que não compartilha os seus, porque egoista, besta estúpida, bocado de carne.
Sozinho ninguém consegue fazer nada, porque o indivíduo vive em sociedade ele deve ser sociável, agir em conjunto com os seus semelhantes, lutar pela mesma razão, como a abelha da colmeia, o melhor exemplo ; como a formiga laboriosa, como a manada de búfalos.
Os animais escolhem um chefe forte que cede o lugar a um outro que é mais forte ainda. Quando este enfraquece, é outro que vai para o lugar. A abelha e a formiga têm chefes produtivos ; o homem tem chefes que lhes roubam o produto coletivo. Dizem o homem racional ? Por quais razões então que o  animal que não o é, tem menos problemas sociáveis ?
Porque não imitaríamos nós os animais, depondo chefes deficientes e ineficazes, quando estes se encontram na ilegalidade, quando estes roubam, quando eles não fazem corretamente o seu trabalho, quando estes já se encontram ultrapassados pela actualidade ?
Não o podemos fazer actualmente por a Constituição não o permitir. Mudar a Constituição ? Quando ? Como ? Fazendo pressão de uma maneira ou outra sobre o Governo, escolhendo verdadeiros deputados. Necessária uma revolução ? Pacífica ? Viril e musculada ?
Ai pobres dos Portugueses, ai pobre daquele que espera que tudo lhe caia do céu. Pobre também de mim, de ti, daquele ! A porta da saída está fechada à chave, desconhe-se onde se encontra, alguém haverá de a encontrar mais cedo ou mais tarde. Soluções existem, porque como dizia alguém : todos os problemas têm soluções. Mas onde e quando encontrá-las ?
Um diálogo de surdos ? após uma eleição, as palavras  ditas ao avesso, uma reviravolta, uma mentira sobre outra a mais. Perjura, felonia,  traição ! 
Que importa outra coisa que não sirva a sua única e simples  ambição. O poder a não importa o preço, mesmo se este tempera no suor e no sangue.
Qualquer que seja a cor política de um ator, de um protagonista, o seu rumo é idêntico ao do seu  adversário, o do cata-vento, a voz de orador parecida com a do papagaio, a cor como a do camaleão : tagarelar, chalrear.
O espetador desorienta-se, não compreende o discurso, ensurdece, esmouca-se. Olha para ao céu, para  a terra, para os lados, desamparado. Acende a televisão : vê as mesmas caras ; abre a rádio : houve as mesmas vozes ; abre o jornal : lê as mesmas palavras. Televisão ao serviço do Estado, que não o compreende a ele e ele tampouco a compreende a ela ; rádios e jornais politizados, endoutrinados, de dominação religiosa e sectária. Outros órgãos que se dizem literadores dificultam-lhe a vida. O espetador votante foi iludido, como todos aqueles que acreditavam. Já não era a primeira vez que se enganara. Nem a segunda. É sempre assim, palavras são palavras, as promessas raramente ou nunca cumpridas.

mardi 27 novembre 2012

PROPOSITION - AS DES COEURS

Cada vez que alguém propõe algo suceptível de optimisar o nosso sistema económico, esse alguém é bombardeado severamente por críticas provocadoras, tratando-o de incompetente e de pessoa desprovida de cultura. Portanto não é necessário ser sábio afim de expor o seu ponto de vista, mesmo se este é carencioso. Depois os tais chamados doutores em economia, doutores únicamente pelo feito de possuirem todos os poderes em tais matérias mesmo quando incompetentes, não querem dar a « mão a torcer », permitindo a um analfabeto qualquer de tomar uma iniciativa.
Vê-se perfeitamente, noutra coisa que numa esfera de cristal, que não é necessário ser feiticeiro nem mágico para calcular onde os dinheiros são mal gastos, sobretudo numa zona mafiosa onde há comilões em todos os cantos de rua. Mesmo Al Capone seria envergonhado se frequentasse estas máfias que não são do seu tempo : é certo que o homenzinho morreria de novo.
Quando um produtor é remunerado inferiormente a um intermediário, um acionista recebendo dividendos incompatíveis com o resultado da empresa, um politico com salários além das suas competências, acreditamos que estamos em presença de sistemas inadaptados ao conceito que temos duma civilização viável. A ciência deveria debruçar-se um pouco mais sobre o que se passa aqui no nosso Planeta, em lugar de ir procurar piolhos na Lua ou em Março. Os dinheiros desperdiçados com essas procuras, despropocionadamente ambiciosas deveriam ser empregados numa procura minuciosa de amelhoração da humanidade.
Se a sociedade portuguesa pensasse um pouco mais em construir em lugar de comprar produtos importados, fabricados por aqueles que lhe roubam o dinheiro, seria já uma boa iniciativa. Mas cada indivíduo pensa únicamente no seu bem-estar atual e que cada qual se « desenrasque ».
Seria sempre possível tentar outras experiências, como empregar pessoas em vez de utilizar máquinas dispendiosas, úteis sim, mas que não cotizam nem à segurança social nem pagam imostos. Essas ditas máquinas são raramente fabricadas em Portugal, em fábricas geradas pelos creditores do País e pertencendo parcialmente, por vezes aos gerentes das empresas utilizadoras.
Oh ! – gritarão os grandes cérebros - que grande burrice ! Mas por vezes há burrices certas, sem pensar que não seria uma novidade falar de roubo de mão de obra pelas máquinas, depois o que a história da indústria nos conta. Portanto também era burrice empregar o seu tempo e desperdiçar o  seu dinheiro com asas de capacho, como diziam na altura, graças a quê todos nós nos deslocamos atualmente.
Esta página é sem pretensão, ingénua, carecendo de rigor e, digamos sinceramente, de competência. Mas é a partir duma pedra bruta que se constrói um muro, depois uma casa. Há sempre alguém mais competente para desenvolver um esboço, susceptível de emendar e de corrigir, de procurar outras ondas próximas da mesma frequência, assim que as suas harmónicas.

Após o 25 de Abril e a instabilidade política que se seguiu, a Europa ocidental receando uma sovietização portuguesa, fez chantagem sobre o País ameaçando-o da fossa dos leões se tal fosse o caso. Muitos receavam um satélite russo na ponta extrêma europeia, nessa altura.
Portugal cedeu. Já havia um certo medo da instalação de uma sociedade socialista de tipo soviético, na camada da população desconhecedora então do significado da palavra democracia. Os novos dirigentes de então só tinham o coração e a boa vontade, o que lhes fora então confiscado pelos políticos regressando de exílio em países onde ce catequisaram. Os exilados impuzeram as suas crenças aos neocidadãos e sob as pressões ocidentais, terminaram por ceder a estas.
É inimaginável actualmente ver um novo golpe militar em Portugal. Só se a Europa e o Mundo estivessem a fogo e a sangue, o que todos nós não desejamos. Porque se tal acontecesse no nosso País, encontraríamos-nos na inconfortável situação de assitiados. Como a nossa armada é fraca, visto o País ser pequeno, seríamos fácilmente engolidos e obrigados a pagar dívidas… é melhor nem pensar nisso ! Encontraríamos-nos então numa situação idêntica à da actual Coreia do Norte ou de Cuba.
Porquê um golpe militar quando um golpe civil ou misto seriam preferíveis ? Depois seria necessário encontrar um timoneiro à altura. E o risco de recomeçar acabaria por montar acima. “Bis repetita” : volta-se o disco e recomeça-se.
Também devemos sempre recear um retorno à ditadura, militar ou religiosa, fascista ou esquerdista, technocrata ou autocrata.

dimanche 25 novembre 2012

Aonde vamos.


Todos nós tinhamos uma grande esperança logo da entrada de Portugal na União Europeia nos anos oitenta. Prometiam-nos o progresso, a entrada numa grande família e no mundo dos ricos, um desenvolvimento comum ao qual participaríamos.
Foi tudo muito lindo ao início, num País no qual o parque automóvel era quase na sua totalidade de segunda mão, no qual a democracia vinha apenas de ser implantada. Que grandes perspetivas se depairavam então perante os nossos concidadãos, dos quais uma grande percentagem pertencia ao mundo rural e que com esta oportunidade conseguiam recuperar latifúndios afim de as transformarem em explorações agrícolas modernas. Formaram-se nestas disciplinas graças a subsídios vindos do exterior e graças à utilização de novas technologias e de novo material. Houve mesmo certos abusos de profitadores de uma nova intituição sem regras verdadeiramente fundadas. A Administração fornecia ajudas subsidiárias sem um contôlo profundo da situação dos examinandos e com uma enorme falta de rigor.
Os nossos dirigentes políticos só viam o futuro com perspetivas para as suas carreiras profissionais para as quais nem todos estavam corretamente formados. Sabiam perfeitamente que mais cedo ou mais tarde haveria alguém com uma dívida nos braços contraída por eles próprios, mas porque isso lhes importava pouco visto que depois das regras republicanas e democráticas haveria poucas chances para que eles respondesem por esses erros. Eles sabiam perfeitamente que lhes seria difícil um segundo mandato ao fim de quatro ou cinco anos e pensariam então que seria aos seus sucessores de se desenrascarem.
Para a maior parte dos Portugueses abriam-se então grandemente as portas aos créditos, novas chances para comprarem uma casa nova ou um carro de último grito. Que importava se não possuiam dinheiro, se os bancos lho emprestavam com baixas taxas de juro e com poucas garantias ?
Os trabalhadores reclamavam direitos e o Estado de então atribuia-lhe certos privilégios – não a todos – como subsídios de Natal ou de férias. No lugar de aumentarem os salários e as pensões recém-criadas para alguns, atribuiram-lhes um décimo terceiro e um décimo quarto mês, o que é um disparate para um País cuja solidez é fraquísima. Mesmo países como a França não atribuem estes « meses complementares a reformados ou a pessoas em busca de emprego ». E com se viu em seguida, estes complementos são fácilmente suprimidos em períodos de crise, o que não aconteceria se estas pessoas tivessem salários decentes. Mas como os ministros e os deputados sá pensam em agradar a quem votará neles não se preocupam nunca com as realidades e as necessidades absolutas dos habitantes e das instituições do País.
A abertura das fronteiras foi um sucesso para a sociedade portuguesa, que tinha enormes dificuldades fronteiriças com os vizinhos europeus e outros. Acabou-se com a mesma a guloseima de uma parcial mafiosa alfândega terrestre, que só ia ver as malas de quem não oferecia a sua « garrafinha de azeite », cujos membres viveram uma feliz época com o desfruto de um tal  tráfico.
A entrada na moeda única conjuntamente com os outros parceiros europeus prometia maravilhas para o futuro, o que inicialmente foi verdade ao terminar com o negócio bancário e escandaloso dos câmbios. Os corretores compravam a um preço e vendiam a outro desproporcionadamente, amassando assim fortunas enormes nas costas do infortunado viajante. Mas a economia já estava minada no interior e políticas desprovidas de rigor e incontroladas continuaram a aumentar as feridas d’uma úlcera já num estado final.
Criticar é muito fácil, porém. Ver a realidade em face e encontrar verdadeiras soluções é muito diferente. O pior é que soluções existem e ninguém as quer aplicar por interesse próprio : a  si mesmo, ao setor bancário do seu país, à economia própria ao seu mesmo país.
A política de austeridade aplicada da forma que o é actualmente, é um fator perigosíssimo. Além da discriminação « racial » entre o norte e o sul, ela enriquece os primeiros afim de  empobrecer os segundos. Os países do norte emprestam aos do sul a taxas indecentes, e as pessoas que detêm capitais no sul fogem com eles para o norte. Os cérebros fogem igualmente as zonas pobres para irem para as mais ricas. Finalmente no Globo tudo é assim : é sempre o sul quem « paga as favas ». O hemisfério norte é rico enquanto que o hemisfério sul é pobre ; a Itália do norte acusa a do sul de ser mandriona por ela ser mais pobre ; toda a gente conhece o resultado da Guerra de Sucessão dos Estados Unidos ; tudo o que se encontra ao sul é sempre mais pobre, porque razões ? Mas para vir sobre a austeridade, esta só causou e continua a causar  danos e distúrbios e se não fizerem cuidado poderá desaguar em guerras sócio-culturais, religiosas e mesmo raciais. A Grécia encontra-se perto d’uma guerra civil, Portugal encaminha-se para lá por estes andares, a Catalunha quer a independência da Espanha, o País Basco já a reclama há muito tempo. O Governo espanhol ameaça abandonar a moeda única se tal for o caso… e ninguém tenta mudar o leme às coisas ? Só “chupa-chupa” do FMI e a sua dominação ao serviço da senhora Merkel, com utilização de armas a defragmentação como a troika ?

vendredi 19 octobre 2012

Pobre língua


Pensava eu escrever em português muito mal
Mas vejo no facebook que há ainda muito pior
Gente que uma única frase é incapaz de compor
Pobre da nossa língua, pobre do nosso Portugal.

Muita gente que frequentou o liceu e a universidade
Escrever textos precisando muita correcção
Talvez para fazer moderno e elegante, alguns dirão
Incompreensível :  nunca vi burrice ser vaidade.

E o pior está muitissimo longe,  está para vir ainda
Mais um desvairo dos políticos e literatos portugueses
A nossa língua transformando-se, cada vez menos linda.

Não sei porquê, mas tenho o pressentimento por vezes
Que em certos núcleos é mal recebida, não é avinda
Por quem só queira um mundo de  americanos e ingleses.

samedi 13 octobre 2012

Enganado


Andei toda a vida enganado
Por gostar de ouvir bem falar
De todo orador muito escutar
Pobre de mim coitado.

Havia um certo Oliveira Salazar
Que passava a vida a mentir
Eu gostava imenso do ouvir
Portanto estava-me a enganar.

Ensinavam-me a geografia e a história
Falavam –me dos nossos antepassados
Dos países por eles conquistados
Com muita batalha, muita vitória.

Inculcavam-me uma noção de  heroísmo
Assim que a de orgulho e de grandeza
De pertencer à Nação portuguesa
Encheram-me a alma de patriotismo.

No 25 de abril parti para outro país
Para não voltar para o Ultramar
Donde eu acabara apenas de chegar
Não sei se foi uma coisa boa que fiz.

Disseram-me que era injusta esta guerra
Que estava a decorrer no Ultramar
Então para lá não ir parar
Tive que partir da minha Terra.

Encontrando-me então em França
Onde de mim ninguém gostava
Num melhor futuro sempre sonhava
Até que perdi a esperança.

Quando tudo parecia  ir pelo melhor
Recuperei o orgulho de ser português
Mas haviam-me mentido outra vez
Puzeram o País ainda muito pior.




vendredi 12 octobre 2012

Suite accueil

Suite accueil

AU CINÉMA

AU CINÉMA

Incôngruidade


Acho incôngruos os comentários de pessoas pretendidas democratas mas que utilizam um vocabulário oriundo da selva : suponho que não foram criados aí. Não quero dizer que todas as pessoas oriundas da mata sejam malcriadas, isto é apenas  imagem, metáfora.
Vejo nalgumas páginas de fóruns muitos fascistas criticarem, acusando democratas de fascismo, quando eles mesmos eram os primeiros colaboradores e denunciadores de democratas, quando o fascismo reinava. Vejo igualmente antipartidários fazeram a propaganda de partidos, pior ainda, de instituições de desigualdade, gritarem aos quatro ventos que são antianarquistas quando eles demonstram o contrário.
Ainda não vi isso em França, que é portanto reconhecida como um dos berços da democracia moderna. Todos podem criticar em público mas sem difamação : quando uma pessoa afirma uma coisa deve confirmá-la ; uma pessoa nunca deve tratar outra públicamente de nome de « pássaro » ou de falar da vida privada de fulano ou beltrano. Se o indivíduo é visado, risca de se encontrar perante um tribunal por difamação, vai ter tempo em seguida de refletir ao seu procedimento.
Entretanto, temos o direito e o dever de criticarmos os políticos, de podermos caricaturar as pessoas públicas.
Portugal e os Portugueses encontram-se numa situação de desespero : não se pode pedir aos habitantes muito civismo em tais situações. Quem tem fome pede de comer, se ninguém o ouvir : grita. É a última maneira de se fazer compreender.
Muitos pensam que tudo é muito melhor nos outros países europeus, o que para certas coisas o é evidentemente. Que pensar então da França onde os pais não têm direito de dar dinheiro aos filhos, se o tiverem (limitado actualmente a 100 mil euros sem impostos), onde os filhos devem pedir dinheiro emprestado ao banco afim de poderem receber a herança que os seus pais eventualmente lhes legaram ? Gabam muito o sistema de saúde inglês : porque vêm então os Ingleses tratarem-se na França, alegando profitar do sistema francês ? Os impostos são exorbitantes em muitos países europeus ricos, os habitantes vivem bem neles, certo, mas em troca duma certa liberdade que lhes é retirada.
Os Americanos são muita vez criticados pels Europeus. Mas os Americanos não admitem a socialização do seu País. Um socialista é desconsiderado aí, baixado ao nível de comunista. E como toda a gente sabe, o comunismo foi “caça” para o cowboy Americano. Mas eles também têm as suas razões internas, pretendem guardar uma liberdade que lhes havia sido negada na Europa quando os seus antepassados emigraram para lá.
Uma vez que se fala de criticar os Americanos, estes são visados por possuirem armas de grande calibre. Mas afinal também há assassinatos na Europa onde tais armas são proibidas : então ? E na América quem comete um crime grave vai para a prisão para o restante dos seus dias, enquanto na Europa deixam sair os criminosos que são um risco para a sociedade, a qual eles vão certamente molestar à mínima oportunidade ou em caso de desespero.

mercredi 3 octobre 2012

Sem mestre


Há quem tenha os olhos vendados
Simplesmente porque não quer  ver
Portanto outros com eles destapados
Não vêm o que o outro não quer.

No mais profundo do subconsciente
Numa região sem nenhuma fronteira
Ainda existe muitissima gente
Que só quer ver à sua maneira.

O realismo para alguns é medonho
Para outros uma crua verdade
Semelhante a um enorme sonho
A que eles assimilam com maldade.

Muitos sem o quererem foram educados
Confundidos com simples cordeiros
Continuamente e bem acorrentados
Pelos seus  pastores ou vaqueiros.

Assim como simples cabresteiros
Continuam nas pegadas do seu senhor
Pensando que só seus ditos são verdadeiros
Dedicando-lhe todo o seu amor.

Refusando ver em face a realidade
Vêm de longe desde pequeninos
Pensando que a pura e única verdade
Está escrita nos seus destinos.

Ai povo, libera-te, quebra a tua corrente
Abre teu espírito, escuta a voz da razão
Porque o  mestre por vezes também mente
Para te dominar, te ter sob a sua mão.



mardi 2 octobre 2012