
O ULTIMATO INGLÊS E A REPUBLICA PORTUGUESA
No dia 11 de janeiro de 1890, os Britânicos, liderados então por Lord Salisbury, enviavam ao governo português um ultimato, sob forma de « Memorando ». Eles exigiam que Portugal retirasse as suas forças militares, então sob o comando militar de Serpa Pinto, do território que compreendia os actuais Zimbabwe, a Zâmbia e o Malawi. Uma faixa de território que ligava o Oceano Atlântico ao Oceano Indico. O mapa destes territórios, que se encontram entre Angola e Moçambique, teria sido desenhado em 1886, e tornado público um ano mais tarde, por Henrique de Barros Ramos, embora ele sempre recusasse a sua paternidade. Mapa que se chamaria : « Mapa cor-de-rosa ».. Esta zona era revendicada por Portugal.Henrique de Barros Ramos era sócio efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa, director do Banco de Portugal, Ministro dos Negócios da Fazenda, da Marinha e Ultramar e dos Negócios Estrangeiros. Também, evidentemente,era deputado ligado ao Partido Progressista.
Um profundo descontentamento da população, que foi sentido como uma humilhação nacional, pela pronta cedência portuguesa às exigências britânicas, surgiu. D. Carlos, a família real e a monarquia, foram vistos como responsáveis do alegado processo de decadência nacional.
D. Carlos i de Portugal, cujo nome completo seria Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, subira ao trono no dia 19 de outubro de 1889, após a morte do seu pai. Seria o 34.° monarca do País. Fora proclamado Rei de Portugal em 28 de dezembro de 1889, na presença de D. Pedro II, Imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Teria por cognomes : O Diplomata ou o Martirizado e o seu reinado duraria até ao seu assassinato, no dia 1 de fevereiro de 1908.
D. Carlos era casado com a princesa D. Amélia de Orleães e era filho do rei D. Luís de Portugal e da princesa Maria de Sabóia.
D. Carlos era considerado como um homem muito inteligente, mas também muitissimo extravagante. Várias crises políticas marcaram o seu curto reinado, tendo como consequência a insatisfação ppopular.
Uma grave crise financeira ocorreu em 1891/1891, devido à queda das remessas dos emigrants do Brasil, país que proclamara a répública dois meses antes. Precisamente, no dia 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República no Brasil, chamada « República Velha », após um golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. O novo nome do país pasou para Estados Unidos do Brasil em lugar de Império do Brasil. Sem nenuma força política e nenhum apoio popular, Deodoro da Fonseca destituío o último imprerador brasileiro, D. Pedro II, que teve que partir em exílio para a Europa. O Brasil foi governado por militares nos primeiros cinco anos após a Proclamação da República. Deodoro da Fonseca tornou-se Chef do Governo Provisório e demitiu-se em 1891. Foi o vice-presidente Floriano Peixoto quem ocupou o lugar.
A Primeira Constituição Republicana, a Constituição de 1891, foi elaborada afim de substituir a antiga que ainda seguia os ideais da monarquia. A constituição instituio o presidencialismo e implantou o voto universal para os cidadãos : embora as mulheres, os analfabetos e militares sem grau ficassem exlcuídos.
Estes acontecimentos eram seguidos, em Portugal, com um ar de esperança pelos partidos opostos à monarquia e receados, evidentemente, por esta instituição, assim como pela família real.
No dia 1 de fevereiro de 1908, depois de uma temporada no Palácio Ducal de Vila Viçosa, a família real regressava a Lisboa. Depois haverem viajado até ao Barreiro de comboio, apanharam o vapor até ao Terreiro do Paço, onde eram esperados pelo governo e vários dignitários da corte. A família real montou numa carruagem aberta na qual se dirigiram para o Palácio das Necessidades. Ao atravessar o Terreiro do Paço, a família real foi alvejada por disparos provenientes da multidão, que se juntara para saudar o rei, que morreu imediatamente ao ser atingido. O herdeiro D. Luís Filipe foi ferido mortalmente e o infant D. Manuel foi ferido num braço. Os autores do atentado foram Alfredo Costa e Manuel Buíça, considerados os únicos, na altura, embora a história reconheça que eles hajam feito parte de um grupo antimonárquico, visando o rei, e também pelo seu suporte ao franquismo. Os assassinos, reconhecidos mais tarde como membros do partido republicano, foram mortos no local mesmo, por membros da guarda real.
D. Manuel II de Portugal ( 15 de novembro de 1889 – 2 de julho dee 1932) foi o trigésimo – quinto rei de Portugal, ao aceder ao trono à morte do seu pai e do seu irmão (nome completo: Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha). Tomou o cognome de O Patriota ou o Desventurado. Antes de aceder ao trono, D. Manuel era duque de Beja e Infante de Portugal. Foi aclamado rei na Câmara dos Deputados, no Palácio de São Bento, no dia 6 de maio de 1908. A sua mãe era D. Amélia de Orleães e o seu sepulcro encontra-se no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Era afilhado do seu avô paterno, o Conde de Paris.
A sua primeira decisão seria de reunir o Conselho do Estado cuja indução o decidira a demitir João Franco, cuja política violenta fora considerada pela tragédia ocorrida na corte real.Nomeou um governo presidido por Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, que era de agrado partidário e afim de acalmar os ânimos. Mas, retrospectivamente terminra por enfraquecer a posição monárquica, e vista como fraqueza pela parte dos republicanos. Os partidos monárquicos voltaravam às suas rivalidades e as eleições de 28 de agosto de 1910 aumentaram o número de deputados republicanos no parlamento, que passavam a ser 14.
No dia 4 de outubro de 1910 começava uma revolução e no dia seguinte, dia 5 de outubro, era a Proclamação da República Portuguesa, em Lisboa. O Palácio das Necessidades, residência oficial do rei, era bombardeado. D. Manuel era aconselhado a dirigir-se ao Palácio Nacional de Mafra, onde a sua mãe e Rainha, D. Maria Pia de Sabóia viria a juntar-se com ele. No dia seguinta embarcava na Ericeira, rumo ao Porto.
No dia 6 de outubro de 1910 era anunciado no Diário do Governo : “Ao Povo Português – Constituição do Governo Provisório da República – Hoje, 5 de outubro de 1910, às 11 horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal na sala nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da Revolução Nacional. Constitui -- se imediatamente o Governo Provisório : Presidência, Dr. Joaquim Teófilo Braga. Interior, Dr. António José de Almeida. Justiça, Dr. Afonso Costa. Fazenda, Basílio Teles. Guerra, António Xavier Correia Barreto. Marinha, Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Estrangeiros, Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães. Obras Públicas, Dr. António Luís Gomes." No dia 8 de outubro, por decreto, o Governo Provisório , determinava a nova nomenclatura dos ministérios . Assim os do Reino, da Fazenda e das Obras Públicas denomariam- se respectivaente Ministério do Interior e Ministério das Finanças.
A PORTUGUESA
Muita gente crê ainda que Alfredo Keil era inglês, por causa do seu nome de consonância estrangeira e por ninguém nunca se haver preocupado em saber quem ele fora realmente. Seria difícil de compreender portanto, que alguém houvesse escrito uma música contra o seu próprio povo.
Fora um artista que deixava o nome gravado com notas de oiro na pauta da música portuguesa. Alfredo Cristiano Keil nascia em Lisboa, no dia 3 de julho de 1850 e viria a falecer em Hamburgo, na Alemanha, no dia 4 de outubro de 1907, pois a Alemanha era uma sua segunda pátria, na qual ele faria uma grande parte dos seus estudos , visto os seus pais serem de origem alemã mas radicados em Portugal : chamava-se o seu pai João Cristiano Keil e a sua mãe Maria Josefina Stellflug.
Estudara desenho e música numa academia dirigida pelo pintor Kaulbach e von Kreling, em Nuremberga, e a sua educação de base ocorrera igualmente na Alemanha, que era o berço do romantismo. Neste país havia uma vaga de novas tendências artísticas, muito cobiçada e muito procurada pelos intelectuais da época.
Além de compositor de música, também era pintor, poeta, arqueólogo e colecionador de arte.
Alfred Keil fora inspirado pelo ultimato inglês para a composição do canto patriótico “A Portuguesa”, com versos de Henrique Lopes de Mendonça. Fora uma cantiga que se tornara popular em todo o país, mais tarde tornar-se-ia no Hino Nacional. Mas ele não viria a conhecer a República porque irónicamente ele morreria exactamente um ano e um dia antes da Proclamação da República.
Portanto, a Marcha Fúnebre seria a sua mais conhecida composição.
Como pintor do romantismo, numa altura tendente ao realismo, pintava regularmente, partilhando o tempo com as outras atividades do seu domínio. Pintava paisagens e interiores, tais o quadro da Leitura, apresentado ao publico em 1874, o que entusiasmava a burguesia endinheirada e a aristocracia ainda maioritária.
Em 1878, inscrevera-se na Exposição Internacional de Paris, no ano seguinte expunha no Brasil, conquistando uma medalha de ouro. Fora condecorado da Ordem de Carlos III de Espanha, na Exposição de Madrid em 1886 e quatro anos mais tarde, em 1990, realizava uma exposição individual em Lisboa, onde expunha cerca de 300 quadros.
A BANDEIRA NACIONAL
A Bandeira de Portugal com a Portuguesa são os dois símbolos maiores da República Portuguesa. O modelo da actual bandeira, foi aprovado pelo decreto n.° 141 pela Assembleia Nacional Constituinte do 19 de junho de 1911, após haver sido seleccionado em várias propostas, por uma comissão constituída por vários membros, entre os quais há que citar João Chagas, Abel Botelho e Columbano Bordalo Pinheiro. As suas dimensões, assim que uma descrição mais pormenerizada seriam definidas pelo decreto de 30 de junho de 1911.
A Bandeira de Portugal é designada Bandeira Nacional, oficialmente. Muitas vezes também é designada Bandeira das Quinas, em referência aos cinco escudetes das Armas de Portugal que têm vindo a ser aplicados a todos os modelos da Bandeira de Portugal desde o século XV. O modelo da bandeira em vigor desde 1911, também é referido ocasionalmente como Bandeira Verde-Rubra.
Depois do Decreto n.° 150, de 30 de julho de 1911, o desenho da Bandeira Nacional tomou forma : un rectângulo de duas cores, ficando o verde do lado esquerdo e da haste, quando representado gráficamente ; e o vermelho do lado direito e exterior. A esfera armilar manuelina será posta ao centro, entre as duas cores, sobreposta do escudo das Armas de Portugal. As proporções da bandeira são de 2 X 3. A cor verde não era tradicional na composição da bandeira, mas em conjunto com o vermelho, eram as cores predominantes do Partido Republicano Português e dos movimentos que lhe eram associados.Nos anos seguintes à proclamação da república, essas cores seriam propagadas como a esperança da nação e do sangue que havia sido derramado pela sua defesa.
Quando a Bandeira de Portugal for hasteada, em conjunto com outras bandeiras, será ela sempre a preceder as outras, incluindo a Bandeira da União Europeia, bandeiras nacionais estrangeiras, regionais, municipais e outras. Ocupará sempre o topo se hasteada no mesmo mastro, o da direita do edifício se existirem dois mastros, e o do centro no caso que hajam três mastros. No caso de quarto ou mais mastros, ocupará o que está mais à direita (para quem está de costas contra o próprio edifício ou recinto). Ocupará sempre o topo mais alto em caso de mastros de várias alturas.
As autoridades podem decretar a bandeira a meia haste, em caso de luto nacional ou local. Se outra bandeira acompanhar o hasteamento, também será colocada a meia haste.
A Bandeira de Portugal deverá ser içada de forma viva e enérgica, arriada de forma lenta e cerimoniosa.
Outros rituais são usados em dias de festas nacionais ou locais, certos protocolos a respeitar quando a visita de representantes de países estrangeiros, etc.
Existem outras variantes, entretanto, da Bandeira Nacional, para uso específico de certas autoridades do Estado Português, tais as bandeiras de uso militar, distintivas e de outros órgãos do Estado.
O Estandarte Nacional é uma versão da Bandeira Nacional para os desfiles. Cada unidade militar ou militarizada possui a sua para as paradas e para as cerimónias : uma bandeira em seda de dimensões de 1,20 m x 1,20 m, cujo modelo padrão foi establecido em 1911.
Aucun commentaire:
Enregistrer un commentaire