jeudi 30 juin 2011

Lusitânia


As pinturas e as gravuras rupestres das grutas de Escoural , de Mazouco e do Val de Côa, datadas entre 22 000 e 10 000 anos a. C., testemunham da existência de povos vivendo de colheita e da caça na parte da Península Ibérica, ocupada actualmente por Portugal.
A Península Ibérica era habitada pelos povos nativos, conhecidos mais tarde como os Iberos, por volta de 10 000 anos a. C. Esta população habitava sobretudo no interior das terras.
Uma cultura megalítica aparece progressivamente entre 4 000 e 2 000 a. C. na região correspondente a Portugal e à Galiza. Ainda hoje se podem encontrar vários vestígios monumentais da sua arquitetura funerária e ritual particular devido à prática de inumação colectiva.
A idade do bronze vê o desenvolvimento de contactos marítimos entre o litoral atlântico e o litoral da Bretanha e das Ilhas Bretânicas. Contactos comerciais são establecidos no sul da península com os povos mediterrânicos, como a Grécia ou a Fenícia. Mais tarde, estes últimos, assim que os seus descendentes oriundos de Cartago, instalam pequenos pontos comerciais na península, que é então rica em metais, como ouro, prata, estanho e ferro. Instalam salgadeiras que utilizam para o peixe pescado no Atlântico que é bastante famoso em todas as regiões do Mediterrâneo.
A idade do ferro vê a chegada dos Celtas, que ocupam de preferência o centro e o oeste da peninsula. Eles vivem em pequenos grupos isolados, nos pontos mais elevados, em casas de forma circular. Eram agricultores e criadores de gado. Eles fusionaram com os Iberos, o que daria origem aos Celtiberos.
Os Lusitanos não eram a própriamente dizer um povo mas sim uma confederação de vários grupos de Celtiberos. Viviam da criação de gado e do fruto das razias sobre os vizinhos. Viviam nas regiões mais desérticas e inóspitas no interior e na parte oriental do Portugal actual, assim como nas províncias espanholas de Léon e Extremadura. Os Lusitanos falavam a sua própria língua. Os conflitos com os vizinhos começaram por volta do século III a. C. - quando os Romanos invadiaram a Península Ibérica, com a Segunda Guerra Púnica, sob o domínio de Cipião - e prolongaram-se até 151 a. C., ano do massacre dos Lusitanos pelo governador da Hispânia Ulterior. Galba radicaliza o conflito que não terminará que com a morte de Viriato, traído e assassinado pelos seus colaboradores e com a paz assinada com os Romanos em 139 a. C. A partir daí,os Lusitanos são progressivamente integrados na história romana e nos seus conflitos internos, tais as guerras sertorianas que de 80 a 72 a. C. vêm Sertório como chefe de guerra dos Lusitanos e que terminará também traído e assassinado como o seu percursor Viriato.
Os Lusitanos seriam então integrados nas diversas legiões romanas e serviriam em particular as de Pompeu e as dos seus filhos.
A Lusitânia foi o nome atribuído ao território oeste da Península Ibérica onde viviam os povos Lusitanos, em 29 a. C. sob César Augusto após a conquista. A capital era Emerita Augusta , actual Mérida. A Lusitânia romana incluía pouco mais ou menos todo o actual território português a sul do rio Douro , uma parte da província de Salamanca e a Extremadura espanhola.
O domínio romano duraria até 411, quando o imperador Honório concederia a Lusitânia aos Alanos.




mercredi 15 juin 2011

D.Sebastião


D. Sebastião, O Desejado, nasceu em Lisboa no dia 20 de janeiro de 1554 e faleceu em Alcácer-Quibir, no dia 4 de agosto de 1578. Era filho do Infante D. João e de D. Joana. Neto de D. João III, por parte do pai e do Imperador Carlos V por parte da mãe. O seu pai morrera antes do seu nascimento e ele herdou do trono com a idade de três anos, a seguir à morte do avô paterno em 1557. Seria o sétimo e último rei da Dinastia de Avis, décimo sexto de Portugal. Ele fora educado quase exclusivamente pelos Jesuitas, pelo seu guarda e tutor Aleixo de Meneses e por sua avó, Caterina da Áustria. Esta educação influenciara-o na sua juventude, de um ardente patriotismo e de um integrismo religioso e fanático, bem que não tenha aderido à “Liga Santa”. Sonhava com batalhas, lutas e conquistas aos mouros, desejando fazer tão bem ou melhor que os reis portugueses seus predecessores ; estava concicto de ser o capitão de Cristo numa nova cruzada.

Tivera o cognome de “O Desejado” por ser o único herdeiro legítimo ao trono e pelo seu nascimento tanto esperado ; mais tarde seria nomeado “O Encoberto” ou “O Adormecido”.
Como só tinha três anos, quando foi coroado, foram a sua avó e o Cardeal Henrique de Évora, que asseguraram a regência até ele haver atingido a idade de 14 anos.
As Cortes pediram a D. Sebastião, várias vezes de ir para Marrocos, afim de parar as turbulências provocadas pelo avanço das tropas turcas, o que era uma ameaça para a segurança das costas portuguesas.
Ele começou a preparar as expedições militares contra os Marroquinos em Fez. O seu tio, que era D. Filipe II de Espanha, futuro rei de Portugal, recusou participar nessa aventura. E decidiu adiar o casamento de D.Sebastião, com uma das suas filhas, para depois da campanha militar.
Mulei Mohammed, Abu Abdallah Mohammed II Saadi (? - Alcácer Quibir, 1578) foi o quarto sultão de Marrocos, tendo governado de 1574 a 1576. Quando ele acedeu ao trono,,o seu tio paterno, Abu al-Malik I fugiu para a Argélia, onde ele compôs um exército formado por soldados otomanos .e invadiu Marrocos em 1576, havendo conquistado Fez ao seu sobrinho, que ele venceu em outras batalhas.também.
Mulei Mohammed pediu auxílio a D. Sebastião em 1578 que acedeu. E na Batalha de Alcácer-Quibir que se seguiu, entre tio e sobrinho, todos os três morreram. Viria a chamar - se essa contenda : « batalha dos três reis.
Ironia do destino : ele queria combater os Marroquinos e acabou por se aliar com uma parte deles afim de combater outros.
Tinha D. Sebastião 24 anos de idade, então.
Gonçalo Annes Bandarra ou ainda, Gonçalo Anes, o Bandarra nascia no bom ano de graça de 1500 - no ano em que Pedro Álvares Cabral descobria o Brasil – em Trancoso. Na mesma localidade morreria em 1556, deixando uma herança poética e messânica, que ainda é de referência nos nossos dias.
A lenda diz que ele não sabia escrever : “O Bandarra canta e o Padre aponta”, referindo um pároco que habitaria o andar superior. Mas ele teria grandes conhecimentos do Antigo Testamento, para quem era sapateiro.
As suas Trovas falavam sobre a vida do “Encoberto” e do futuro do reino de Portugal. Acusado pela Inquisição de Judaísmo, a sua obra foi catalogada nos livros proibidos. Foi obrigado a participar na procissão do auto-de-fé, após comparecer perante os tribunais da Inquisição. Apesar de “As Trovas” serem proíbidas pelo Santo Ofício, mesmo assim elas circulavam em várias cópias escritas à mão.
O desaparecimento de D. Sebastião em Alcácer-Quibir, que ocorreu só 28 anos depois da morte do Bandarra, deixara o reinado numa situação desesperada. Mesmo se o acontecimento ocorreu posteriormente à morte do Bandarra, a tentação era forte para crenças ancestrais, professias e milagres de todo o género. Depois, ninguém estava certo que o rei houvesse morrido? A partir daí, fizeram rápidamente a aproximação entre o tal “Encoberto” e D. Sebastião.
Muita gente via o rei D. Sebastião em todo o lado. Outros diziam que ele regresseria montado num cavalo branco por uma manhã de nevoeiro, outros, patriotas, tentaram fazer-se passar por ele, mas acabaram por ser desmascarados.
Por causa disso, D. Filipe I enviou para o Mosteiro dos Jerónimos um corpo que alegava ser o rei desaparecido, em 1582, com a esperança de terminar com o sebastianismo. Porém o resultado fracassou e nunca ninguém poude provar que era o corpo do rei que foi metido no Túmulo de Mármore repousando sobre dois elefantes. EsseTúmulo ainda pode ser visto actualment em Lisboa.

samedi 11 juin 2011



O ULTIMATO INGLÊS E A REPUBLICA PORTUGUESA

No dia 11 de janeiro de 1890, os Britânicos, liderados então por Lord Salisbury, enviavam ao governo português um ultimato, sob forma de « Memorando ». Eles exigiam que Portugal retirasse as suas forças militares, então sob o comando militar de Serpa Pinto, do território que compreendia os actuais Zimbabwe, a Zâmbia e o Malawi. Uma faixa de território que ligava o Oceano Atlântico ao Oceano Indico. O mapa destes territórios, que se encontram entre Angola e Moçambique, teria sido desenhado em 1886, e tornado público um ano mais tarde, por Henrique de Barros Ramos, embora ele sempre recusasse a sua paternidade. Mapa que se chamaria : « Mapa cor-de-rosa ».. Esta zona era revendicada por Portugal.
Henrique de Barros Ramos era sócio efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa, director do Banco de Portugal, Ministro dos Negócios da Fazenda, da Marinha e Ultramar e dos Negócios Estrangeiros. Também, evidentemente,era deputado ligado ao Partido Progressista.
Um profundo descontentamento da população, que foi sentido como uma humilhação nacional, pela pronta cedência portuguesa às exigências britânicas, surgiu. D. Carlos, a família real e a monarquia, foram vistos como responsáveis do alegado processo de decadência nacional.
D. Carlos i de Portugal, cujo nome completo seria Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, subira ao trono no dia 19 de outubro de 1889, após a morte do seu pai. Seria o 34.° monarca do País. Fora proclamado Rei de Portugal em 28 de dezembro de 1889, na presença de D. Pedro II, Imperador do Brasil, exilado desde o dia 6 do mesmo mês. Teria por cognomes : O Diplomata ou o Martirizado e o seu reinado duraria até ao seu assassinato, no dia 1 de fevereiro de 1908.
D. Carlos era casado com a princesa D. Amélia de Orleães e era filho do rei D. Luís de Portugal e da princesa Maria de Sabóia.
D. Carlos era considerado como um homem muito inteligente, mas também muitissimo extravagante. Várias crises políticas marcaram o seu curto reinado, tendo como consequência a insatisfação ppopular.
Uma grave crise financeira ocorreu em 1891/1891, devido à queda das remessas dos emigrants do Brasil, país que proclamara a répública dois meses antes. Precisamente, no dia 15 de novembro de 1889 foi proclamada a República no Brasil, chamada « República Velha », após um golpe militar liderado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. O novo nome do país pasou para Estados Unidos do Brasil em lugar de Império do Brasil. Sem nenuma força política e nenhum apoio popular, Deodoro da Fonseca destituío o último imprerador brasileiro, D. Pedro II, que teve que partir em exílio para a Europa. O Brasil foi governado por militares nos primeiros cinco anos após a Proclamação da República. Deodoro da Fonseca tornou-se Chef do Governo Provisório e demitiu-se em 1891. Foi o vice-presidente Floriano Peixoto quem ocupou o lugar.
A Primeira Constituição Republicana, a Constituição de 1891, foi elaborada afim de substituir a antiga que ainda seguia os ideais da monarquia. A constituição instituio o presidencialismo e implantou o voto universal para os cidadãos : embora as mulheres, os analfabetos e militares sem grau ficassem exlcuídos.

Estes acontecimentos eram seguidos, em Portugal, com um ar de esperança pelos partidos opostos à monarquia e receados, evidentemente, por esta instituição, assim como pela família real.
No dia 1 de fevereiro de 1908, depois de uma temporada no Palácio Ducal de Vila Viçosa, a família real regressava a Lisboa. Depois haverem viajado até ao Barreiro de comboio, apanharam o vapor até ao Terreiro do Paço, onde eram esperados pelo governo e vários dignitários da corte. A família real montou numa carruagem aberta na qual se dirigiram para o Palácio das Necessidades. Ao atravessar o Terreiro do Paço, a família real foi alvejada por disparos provenientes da multidão, que se juntara para saudar o rei, que morreu imediatamente ao ser atingido. O herdeiro D. Luís Filipe foi ferido mortalmente e o infant D. Manuel foi ferido num braço. Os autores do atentado foram Alfredo Costa e Manuel Buíça, considerados os únicos, na altura, embora a história reconheça que eles hajam feito parte de um grupo antimonárquico, visando o rei, e também pelo seu suporte ao franquismo. Os assassinos, reconhecidos mais tarde como membros do partido republicano, foram mortos no local mesmo, por membros da guarda real.

D. Manuel II de Portugal ( 15 de novembro de 1889 – 2 de julho dee 1932) foi o trigésimo – quinto rei de Portugal, ao aceder ao trono à morte do seu pai e do seu irmão (nome completo: Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha). Tomou o cognome de O Patriota ou o Desventurado. Antes de aceder ao trono, D. Manuel era duque de Beja e Infante de Portugal. Foi aclamado rei na Câmara dos Deputados, no Palácio de São Bento, no dia 6 de maio de 1908. A sua mãe era D. Amélia de Orleães e o seu sepulcro encontra-se no Panteão dos Braganças, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa. Era afilhado do seu avô paterno, o Conde de Paris.
A sua primeira decisão seria de reunir o Conselho do Estado cuja indução o decidira a demitir João Franco, cuja política violenta fora considerada pela tragédia ocorrida na corte real.Nomeou um governo presidido por Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, que era de agrado partidário e afim de acalmar os ânimos. Mas, retrospectivamente terminra por enfraquecer a posição monárquica, e vista como fraqueza pela parte dos republicanos. Os partidos monárquicos voltaravam às suas rivalidades e as eleições de 28 de agosto de 1910 aumentaram o número de deputados republicanos no parlamento, que passavam a ser 14.
No dia 4 de outubro de 1910 começava uma revolução e no dia seguinte, dia 5 de outubro, era a Proclamação da República Portuguesa, em Lisboa. O Palácio das Necessidades, residência oficial do rei, era bombardeado. D. Manuel era aconselhado a dirigir-se ao Palácio Nacional de Mafra, onde a sua mãe e Rainha, D. Maria Pia de Sabóia viria a juntar-se com ele. No dia seguinta embarcava na Ericeira, rumo ao Porto.
No dia 6 de outubro de 1910 era anunciado no Diário do Governo : “Ao Povo Português – Constituição do Governo Provisório da República – Hoje, 5 de outubro de 1910, às 11 horas da manhã, foi proclamada a República de Portugal na sala nobre dos Paços do Município de Lisboa, depois de terminado o movimento da Revolução Nacional. Constitui -- se imediatamente o Governo Provisório : Presidência, Dr. Joaquim Teófilo Braga. Interior, Dr. António José de Almeida. Justiça, Dr. Afonso Costa. Fazenda, Basílio Teles. Guerra, António Xavier Correia Barreto. Marinha, Amaro Justiniano de Azevedo Gomes. Estrangeiros, Dr. Bernardino Luís Machado Guimarães. Obras Públicas, Dr. António Luís Gomes." No dia 8 de outubro, por decreto, o Governo Provisório , determinava a nova nomenclatura dos ministérios . Assim os do Reino, da Fazenda e das Obras Públicas denomariam- se respectivaente Ministério do Interior e Ministério das Finanças.

A PORTUGUESA


Muita gente crê ainda que Alfredo Keil era inglês, por causa do seu nome de consonância estrangeira e por ninguém nunca se haver preocupado em saber quem ele fora realmente. Seria difícil de compreender portanto, que alguém houvesse escrito uma música contra o seu próprio povo.
Fora um artista que deixava o nome gravado com notas de oiro na pauta da música portuguesa. Alfredo Cristiano Keil nascia em Lisboa, no dia 3 de julho de 1850 e viria a falecer em Hamburgo, na Alemanha, no dia 4 de outubro de 1907, pois a Alemanha era uma sua segunda pátria, na qual ele faria uma grande parte dos seus estudos , visto os seus pais serem de origem alemã mas radicados em Portugal : chamava-se o seu pai João Cristiano Keil e a sua mãe Maria Josefina Stellflug.
Estudara desenho e música numa academia dirigida pelo pintor Kaulbach e von Kreling, em Nuremberga, e a sua educação de base ocorrera igualmente na Alemanha, que era o berço do romantismo. Neste país havia uma vaga de novas tendências artísticas, muito cobiçada e muito procurada pelos intelectuais da época.
Além de compositor de música, também era pintor, poeta, arqueólogo e colecionador de arte.
Alfred Keil fora inspirado pelo ultimato inglês para a composição do canto patriótico “A Portuguesa”, com versos de Henrique Lopes de Mendonça. Fora uma cantiga que se tornara popular em todo o país, mais tarde tornar-se-ia no Hino Nacional. Mas ele não viria a conhecer a República porque irónicamente ele morreria exactamente um ano e um dia antes da Proclamação da República.
Portanto, a Marcha Fúnebre seria a sua mais conhecida composição.
Como pintor do romantismo, numa altura tendente ao realismo, pintava regularmente, partilhando o tempo com as outras atividades do seu domínio. Pintava paisagens e interiores, tais o quadro da Leitura, apresentado ao publico em 1874, o que entusiasmava a burguesia endinheirada e a aristocracia ainda maioritária.
Em 1878, inscrevera-se na Exposição Internacional de Paris, no ano seguinte expunha no Brasil, conquistando uma medalha de ouro. Fora condecorado da Ordem de Carlos III de Espanha, na Exposição de Madrid em 1886 e quatro anos mais tarde, em 1990, realizava uma exposição individual em Lisboa, onde expunha cerca de 300 quadros.

A BANDEIRA NACIONAL


A Bandeira de Portugal com a Portuguesa são os dois símbolos maiores da República Portuguesa. O modelo da actual bandeira, foi aprovado pelo decreto n.° 141 pela Assembleia Nacional Constituinte do 19 de junho de 1911, após haver sido seleccionado em várias propostas, por uma comissão constituída por vários membros, entre os quais há que citar João Chagas, Abel Botelho e Columbano Bordalo Pinheiro. As suas dimensões, assim que uma descrição mais pormenerizada seriam definidas pelo decreto de 30 de junho de 1911.
A Bandeira de Portugal é designada Bandeira Nacional, oficialmente. Muitas vezes também é designada Bandeira das Quinas, em referência aos cinco escudetes das Armas de Portugal que têm vindo a ser aplicados a todos os modelos da Bandeira de Portugal desde o século XV. O modelo da bandeira em vigor desde 1911, também é referido ocasionalmente como Bandeira Verde-Rubra.
Depois do Decreto n.° 150, de 30 de julho de 1911, o desenho da Bandeira Nacional tomou forma : un rectângulo de duas cores, ficando o verde do lado esquerdo e da haste, quando representado gráficamente ; e o vermelho do lado direito e exterior. A esfera armilar manuelina será posta ao centro, entre as duas cores, sobreposta do escudo das Armas de Portugal. As proporções da bandeira são de 2 X 3. A cor verde não era tradicional na composição da bandeira, mas em conjunto com o vermelho, eram as cores predominantes do Partido Republicano Português e dos movimentos que lhe eram associados.Nos anos seguintes à proclamação da república, essas cores seriam propagadas como a esperança da nação e do sangue que havia sido derramado pela sua defesa.
Quando a Bandeira de Portugal for hasteada, em conjunto com outras bandeiras, será ela sempre a preceder as outras, incluindo a Bandeira da União Europeia, bandeiras nacionais estrangeiras, regionais, municipais e outras. Ocupará sempre o topo se hasteada no mesmo mastro, o da direita do edifício se existirem dois mastros, e o do centro no caso que hajam três mastros. No caso de quarto ou mais mastros, ocupará o que está mais à direita (para quem está de costas contra o próprio edifício ou recinto). Ocupará sempre o topo mais alto em caso de mastros de várias alturas.
As autoridades podem decretar a bandeira a meia haste, em caso de luto nacional ou local. Se outra bandeira acompanhar o hasteamento, também será colocada a meia haste.
A Bandeira de Portugal deverá ser içada de forma viva e enérgica, arriada de forma lenta e cerimoniosa.
Outros rituais são usados em dias de festas nacionais ou locais, certos protocolos a respeitar quando a visita de representantes de países estrangeiros, etc.
Existem outras variantes, entretanto, da Bandeira Nacional, para uso específico de certas autoridades do Estado Português, tais as bandeiras de uso militar, distintivas e de outros órgãos do Estado.
O Estandarte Nacional é uma versão da Bandeira Nacional para os desfiles. Cada unidade militar ou militarizada possui a sua para as paradas e para as cerimónias : uma bandeira em seda de dimensões de 1,20 m x 1,20 m, cujo modelo padrão foi establecido em 1911.


vendredi 10 juin 2011

Sou teimoso

Vocês que conhecem tudo,
Digam-me lá todos então
Porque não tenho eu nunca razão
E porque sou tão cabeçudo ?

Creio que a verdade seja talvez
Um feito bem averiguado
Que é de ter nascido e ser criado
Em Portugal , portanto português.


Portugueses, gente teimosa ?
Gente de carácter, então.
Mas gente de bom coração
E igualmente muito laboriosa.

E é com com imenso prazer
Não ofendido apesar de tudo
Que quando me chamam cabeçudo
Sou contente por o ser.

mardi 7 juin 2011

Santo António


O Santo António não trouxe só boas coisas com ele neste verão de 2011. Nesta altura das marchas populares, os populares, esses, encontam-se atarefados a estudar a maneira de não passarem fome num prazo que se quer escasso. Se há ainda gente que tenha vontade de rir, que o faça : a liberdade é uma das bases da república, assim como da democracia, assim que a promulga a « Declaração dos Direitos do Homem » . Se Santo António trouxe vontade de cantar, de dançar e de pular, também trouxe cintos para apertar assim como chaves para bem fecharem as gavetas ; há quem diga que as vão pregar – as gavetas - afim que não sejam abertas muitas vezes. Comer sardinha assada já é hábito e parece que assim vai continuar por muitos « anitos » ainda. Bife de porco ou de perú ainda será como um outro, ainda aparecerá de tempos a outros. Mas a vaquinha ou a vitela ? – Raios, só na vitrina do talho !
Mas peixinho assado é sempre bom, com uma boa tiborna e uma azeitoninha da serra num molho de alho perfumada ao oregão e ao piri-piri. Uma sopinha de caldo verde e tal… E está arrumado. A seguir uma boa sesta sobre a areia da praia, antes de se mergulhar numa água um tanto fria afim de melhor se esclarecerem as idéias. Depois, « toca a andar », se nem só de pão mol e de água fria vive o homem, um mínimo vital lhe bastará. Em tempos de crise não se pode andar atrás de luxos nem alvejar objectos fora do alcance. Ir ao restaurante ficará reservado aos dias festivos, tais os dias de anos ; e nem pensar em convidar muita gente, para se ter um fim de mês assegurado.
Anteriormente ainda se comia uma « saladazinha » de tomate ou de pepino. Agora dizem por aí que os legumes têm bactérias. Depois das vacas houve as aves, a seguir os porcos… E eis os legumes agora.
“Se a doença da « vaca louca » e a gripe aviária foram averiguadas, a febre porcina e a bactéria “Eceh” não passaram de simples tontices para uns, cedência intransigente a lóbis para outros. Verdadeiras declarações de guerra visando países produtores concorrentes, certos do Primeiro Mundo, outros países emergentes do Terceiro Mundo ( Esta mania de passar dum mundo a outro sem transições… - parece que um Segundo Mundo é um mundo virtual).
Afinal a raíz do mal encontrava-se no país acusador, num sanctuário dos sanctuários… O lóbi da agicultura dita biológica ( A biologia é a ciência que tem por ojecto o estudo dos seres vivos), mais uma vez provocou falhanços, desordem, mal-estar e desagrado. Alguém se perguntará um dia se os produtos ditos biológicos o são realmente e por qual razão bactérias desconhecidas fazem a sua aparição em certos centros de pesquisa científica.”
Crise, qual crise ? – Uma crise na crise, talvez. Em tempos de guerra, as pessoas que não morriam bombardeadas ou baleadas morriam com a fome ; outras comiam ervas e tudo o que lhes passava ao alcance da mão afim de sobreviverem. Terminada a guerra, havia uma crise, devido à carência de produtos de primeira necessidade. Tempos pacíficos chegaram procedidos por crises atrás umas das outras. Diz-se sempre : - É tudo devido à crise. Depois de dez anos que se vive em crise. Há vinte anos já havia crise. Há cento e cinquenta anos também já havia crise. Sempre se viveu em crise.
A televisão, há que vê-la o mínimo possível, visto que ela só nos apresenta gente rica, bem vestida, paisagens maravilhosas, cidades enormes nas quais tudo é luxuoso. Uma tentação para as pessoas, que as incita a viajar e a comprar coisas boas.Sem esquecer a publicidade frequente e incessante, apresentando tudo o que faz falta para a vida doméstica : desde o último aspirador que funciona sozinho até à máquina fotográfica que também filma... Só coisas bonitas e boas ! Mas como o dinheiro é muito pouco, quem o gastar fica sem nenhum. Assim, não se olhando para a televisão corta o desejo de comprar isto ou aquilo, que numa época normal seria necessário mas que agora não é indispensável. Há que se guardar uns tostõezinhos, mesmo se forem poucos, que assegurem um fim de um mês que seja mais difícil que um outro : nunca se sabe.
Isto é sátira, claro. Também há que saber rir, mesmo que seja com um sorriso pintassilgo,amarelado,caramelizado. Pois a vida continua com os seus atropelos... A vida necessita de picante, deixaria de ser saborosa se fosse demasiado fácil. Nós adoramo-la exactamente por ela assim ser e por ela assim continuar, por estes caminhos sinuosos e arremendados ; por estas veredas rumo ao céu, com uma linha de horizonte vendada por uma opaca neblina, nata para ser abstracta ; de cara vendada, olhos e ouvidos tapados - afim de não se conhecer a verdade. Porque esta fere, louca,indomptável e por isso escondida.
Lá no alto, outro "santinho"ri às gargalhadas : no seu poleiro dourado, oh quão longe
do solo enlameado, frequentado pela plebe, que ele e os seus "compadres" tanto desprezam. Murmúrios inaudíveis elevam-se na atmosfera saturada por tanto movimento de toda a origem.Uns dizem "p'ra baixo", outros dizem "p'ra cima": é um verdadeiro cafarnaum poluído visualmente e para todos os outros sentidos humanos.
"Meus senhores e minhas senhoras, o momento é delicado, nós pecámos e a hora da redenção chegou."- prega alguém lá na tribuna.
- Nós nada fizémos de mal ! - responde a massa.
- As dívidas acumularam-se, fomos obrigados a pedir dinheiro emprestado e as coisas não nos correram bem. Azar. Ninguém nos quer emprestar mais com as antigas regalias. Somos obrigados a pedir ajuda... Entretanto há que haver paciência, pois são "eles" que vão mandar cá "dentro".
- Puxa !
Murmúrios. Incompreensão.
- Eh pá, esta noite há bola na televisão.- diz alguém.
- Vamos lá a ver isso então ! - responde-lhe outro.