Não basta ter orelhas grandes para se ouvir bem
Também é necessário um certo conhecimento
Mas acontece frequentemente, porém
Que os rumores chegam a elas com o vento.
Chegam por vezes num grande remoinho,turbilhão,
Agredindo os arredores com grande violência
Destruindo tudo o que está ao alcance da mão
Levando mesmo países ao desastre, à falência.
E o senhor no « trono » sentado, talvez um ministro
Grita bem alto para todos ouvirem, para a assembleia
Que não é ele o culpado deste acidente, deste sinistro
Coisa porém que nunca lhe teria vindo à idéia.
E apregoa bem alto, que poderia ter acontecido, talvez
Se porventura em caso de cautela, de prevenção,
Um mínimo de inteligência, de habilidade, de sensatez ;
Algo que haveria salvado e protegido a Nação.
Mas um homem também está muitas vezes acompanhado
Não vê tudo sozinho, há outros que também são responsáveis
Não pode nem deve ser ele sempre o coitadinho culpado
Tais acusações seriam insensatas, um tanto desrazoáveis.
E para tudo há uma desculpa, um álibi, um perdão
Porque quem tem língua chega a Roma, costuma-se dizer
A experiência de um passado seria enfim uma bela lição
Que serviria para sempre, para nunca mais esquecer.
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