Nabo nado e na horta criado
De origem bruta e crua.
Legume verde cujo fado,
Não tem inteligência sua.
Diz gente sabida
Que nabiça é sua rama.
Todos dois são comida
E portanto de má fama.
Tanta ingratidão
Contra duas simples plantas
Isso sem razão,
Porque de utilidades tantas.
Não o amem, que ele tampouco,
E ele até aposta
Não é preciso ser louco
Para quem dele gosta.
Arco iris Arc en ciel Rainbow Couleurs de la nature. Le noir et le blanc sont aussi beaux, Car couleurs de race pure.
mercredi 25 mai 2011
lundi 23 mai 2011
Troica
A língua portuguesa já sofreu várias transformações em poucos anos, e continua numa mutabilidade por indução permanente, provocada por factores vários. Por decretos e leis, adapta-se a língua às carências de cada qual, não se hesitando a recorrer a arcaísmos, esquecendo etimologia, etnologia, assim que conceitos originais e básicos. Os políticos, querendo controlar o Sol, a Lua, depois de imporem taxas sobre a luz, a água e mesmo sobre o ar que respiramos, também querem controlar o nosso espírito, decidindo eles mesmo como devemos falar e escrever, omitindo de entregar essa tarefa às gentes de letras e filósofos. Que interessa a competência pois, se esta não tem cor política !
Por vezes, outras palavras emergem também, de uma nascente que se ignora, neologismos inexplicáveis e incompreensívos, plantados lá por mão desconhecida.
Vive-se num mundo cada vez mais difícil de compreender : novas palavras surgem , outras desaparecem , outras resistem ao tempo – permanecendo nas gírias e nas línguas regionais. Outros barbarismos são semeados aqui e acolá por gente que se diz culta, por possuir diplomas que, na maior parte dos casos, nada têm a ver com as letras : - e que não os autoriza portanto a modificar uma língua comum, uma língua que pertence ao povo.
Com a recente crise financeira em Portugal, apareceram palavras de sabor amargo, que todos ignoravam, e outras foram inventadas para o evento, entre as quais a palavra « troica ».
A definição desta palavra fornecida pelos dicionários ingleses é igual à dos dicionários franceses : - um treinó russo puxado por três cavalos e por extensão, um carro puxado por três cavalos. O mesmo nome aplica-se também a triunvirato. Dicionários portugueses ainda recentes contêm a mesma definição. Mas seria esta a verdadeira definição, a palavra mais adequada a esta situação ? Não seriam bois ou burros a puxar as carroças (cujo conteúdo se desconhece) via um rumo desconhecido, por caminhos tenebrosos e minados ? Orelhudos predadores, animais cornudos e ambiciosos,verdadeiras aves de rapina ? Ainda que o cavalo não possua esses atributos.
Arcaísmo.
« Perguntei a uma pessoa, há já alguns anos atrás, onde havia uma retrete.
- Ah ! uma casa de banho, queres dizer ?
- Sim. Porquê, não é a mesma coisa ?
- Essa palacra já não se utiliza. Já desapareceu do dicionário.
Nesse instante olhei para a frente, e um pouco mais longe vi um painel sobre uma casinha correspondendo ao que eu esperava, por cima da porta, pregado ali como que para maldade.
- Aquilo acolá, o que é então ? – e como para me desculpar, assim como para ão ofender a pessoa, lá inventei algo que não recordo ».
dimanche 22 mai 2011
O Mar
Mantos nevados nas cristas das ondas, dançando ao ritmo do vento, rosas brancas num céu estrelado, esplendor natural : eis o oceano que nos encanta. O perfume do marisco circula na atmosfera que ele purifica ; o som da onda confunde-se com o da gaivota numa música que acompanha o canto das sereias que dançam sobre as pontas dos pés, num rodopiar elíptico. Vestidas de branco translúcido e transparente, ligeiras como penas planando com o sopro do vento : espectáculo feérico oferecido pela imaginação. O real encanta, confunde-se com o sonho, fascina e hipnotiza as pessoas, confunde-as. As lendas tornam-se numa realidade que afinal é sonho.
« Eu vi o mar e gostei dele. Adorei a sua cor azul escuro que se confundia na linha de horizonte com o azul mais claro do céu. A bruma confundia as duas cores numa aguarela alegórica e impressionista ».
Quem assim falava era poeta. Porque só um poeta fala para lá dos seus sentimentos . Porque só um poeta consegue descrever o imaginário.
Portanto não é necessário ser poeta para adorar o céu, o mar ; basta uma pessoa possuir uma alma sensível, sensual. Ver e ouvir o mar, cheirar o aroma salgado, sentir a frescura da brisa ; e abandonar-se ao sonho.
aller AS DE COEUR
vendredi 6 mai 2011
Orelhemus
Não basta ter orelhas grandes para se ouvir bem
Também é necessário um certo conhecimento
Mas acontece frequentemente, porém
Que os rumores chegam a elas com o vento.
Chegam por vezes num grande remoinho,turbilhão,
Agredindo os arredores com grande violência
Destruindo tudo o que está ao alcance da mão
Levando mesmo países ao desastre, à falência.
E o senhor no « trono » sentado, talvez um ministro
Grita bem alto para todos ouvirem, para a assembleia
Que não é ele o culpado deste acidente, deste sinistro
Coisa porém que nunca lhe teria vindo à idéia.
E apregoa bem alto, que poderia ter acontecido, talvez
Se porventura em caso de cautela, de prevenção,
Um mínimo de inteligência, de habilidade, de sensatez ;
Algo que haveria salvado e protegido a Nação.
Mas um homem também está muitas vezes acompanhado
Não vê tudo sozinho, há outros que também são responsáveis
Não pode nem deve ser ele sempre o coitadinho culpado
Tais acusações seriam insensatas, um tanto desrazoáveis.
E para tudo há uma desculpa, um álibi, um perdão
Porque quem tem língua chega a Roma, costuma-se dizer
A experiência de um passado seria enfim uma bela lição
Que serviria para sempre, para nunca mais esquecer.
Também é necessário um certo conhecimento
Mas acontece frequentemente, porém
Que os rumores chegam a elas com o vento.
Chegam por vezes num grande remoinho,turbilhão,
Agredindo os arredores com grande violência
Destruindo tudo o que está ao alcance da mão
Levando mesmo países ao desastre, à falência.
E o senhor no « trono » sentado, talvez um ministro
Grita bem alto para todos ouvirem, para a assembleia
Que não é ele o culpado deste acidente, deste sinistro
Coisa porém que nunca lhe teria vindo à idéia.
E apregoa bem alto, que poderia ter acontecido, talvez
Se porventura em caso de cautela, de prevenção,
Um mínimo de inteligência, de habilidade, de sensatez ;
Algo que haveria salvado e protegido a Nação.
Mas um homem também está muitas vezes acompanhado
Não vê tudo sozinho, há outros que também são responsáveis
Não pode nem deve ser ele sempre o coitadinho culpado
Tais acusações seriam insensatas, um tanto desrazoáveis.
E para tudo há uma desculpa, um álibi, um perdão
Porque quem tem língua chega a Roma, costuma-se dizer
A experiência de um passado seria enfim uma bela lição
Que serviria para sempre, para nunca mais esquecer.
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