
Que importância se crer alguém de Superior se ninguém o crê ? A superioridade em tanto que ser é-o realmente ou mera utopia ?
Duas questões, responder-me -ia alguém de senso comum, que terão razão de o ser e que paralelamente e paradoxalmente não o têm : que senso ? Passemos então e esqueçamos o ignorante julgar-se ele mesmo, porque mais cedo ou mais tarde compreenderá que se o ridículo não mata, fere. E as feridas morais, sentimentais fazem doer tanto…
Também ser ridículo para si mesmo não deveria incomodar desde que nada seja imposto a alguém. Armar-se em juiz e sacerdote da moralidade é mal aceite, não há nenhuma razão então para alguém se intitular moralizador de valores abstractos e incontroláveis em si mesmo. Julgar o outro : porque motivos a Inquisição findou realmente senão a falta de julgadores e de pacientes ? E ainda há quem se tente impor ? Não ! – Ninguém é superior a ninguém nem inferior tão pouco. Se alguém crê sê-lo, estará certamente errado.
Não é assim ? Então como é ?
Compreende-se que muita gente tenha algo a provar, por vezes tudo, e queira impor-se para impor aos outros, teses com argumentos que não sabe controlar e para se valorizar a ela mesmo, tudo em rebaixando o vizinho, porque este tem uma existência diferente. Porém, o vizinho proporciona por vezes surprezas incompatíveis para sua compreensão : Então, é a selva virgem, negra, inexplorada, o vazio, o zero.
Porém, a procura do perfeito é certamente uma virtude e melhorar o ordinário é necessário à progressão do pensamento humano, à extensão de todas as artes, ciências, técnicas. E a importância é nula se ninguém nos aprovar, porque finalmente a crítica também é constructiva e progressista.
Todos nós sabemos que os sentimentos de superioridade, inferioridade e outros existem e fazem parte de complexos que geram atitudes sentimentais, ambientais. Eles nascem nas profundezas do subconsciente, proliferam, para surgirem finalmente simultâneamente dispersos, tais vírus, em todas as artérias fundamentais do mecanismo neurótico humano. A vaidade, por vezes necessária, é entretanto uma simples resultante da agitação perturbadora causada por estes e outros factores semelhantes.
As atitudes humanas são oriundas pois e geradas por mecanismos complexos. Devemos pois desconfiar de nós próprios e adquirir as disposições adequadas afim de nos manter na linha recta, no caminho certo. Uma vigilância aguda e uma correcção frequente dos nossos actos são indispensáveis à manutenção do bom sentimento e do bom comportamento de todo ser humano.
Antes de humilhar alguém, acto ridículo, lavemos a nossa sujidade e se queremos realmente brilhar, façamos para isso, em nos ilustrando, acendendo nossas luzes afim que elas brilhem e sejam vistas de longe. Tapar a vista ao vizinho é pura utopia e não demonstra outra coisa que mesquinhismo , e pequenez de espírito.
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