O ENTRUDO DE OUTRORA
Quando eu era criança, o entrudo começava no dia 22 de janeiro, dia de São Vicente, e ia até à terça-feira de carnaval. Nós fazíamos todas as macaquices que nos eram permitidas para as crianças da nossa idade, mas pelo carnaval, quase tudo nos era autorizado e tolerado, com a cumplicidade dos adultos.
Na altura pouca coisa havia, os meios eram escassos. Mas nós divertiamo-nos bem com aqueles de que dispunhamos, com os meios de bordo.
Como não tínhamos
« confetti » , utilizávamos farelos com os quais « enfarelávamos » os colegas da escola ou as raparigas, quando atingíamos uma certa idade.
Outra da nossas brincadeiras favoritas : pegar numa metade de limão, esfregá-lo sobre uma panela preta (na altura, haviam muitas, pois a comida era preparada sobre a lareira), antes de o esfregar de novo pela cara das raparigas (ou rapazes).
O nosso passatempo favorito era o das « canecadas » : - o jogo consistia em lançar canecos velhos, bocados de louça partida, « testos »,e mesmo pedras quentes, para dentro das casas através das janelas, postigos ou toda entrada que estivesse aberta ; tudo isto com o fim de irritar as pessoas (As portas possuiam quase todas postigos na altura, que as pessoas deixavam abertos afim de haver ar fresco em casa). E no dia seguinte toda a gente ria e ninguém se « lembrava » de nada.
Também utilizávamos muito os espantalhos, confeccionados grosseiramente, mas que com a ajuda da escuridão nocturna, causavam medo às pessoas, que eram muito supersticiosas nessa altura.
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