lundi 31 janvier 2011

ENTRUDO

O ENTRUDO DE OUTRORA
Quando eu era criança, o entrudo começava no dia 22 de janeiro, dia de São Vicente, e ia até à terça-feira de carnaval. Nós fazíamos todas as macaquices que nos eram permitidas para as crianças da nossa idade, mas pelo carnaval, quase tudo nos era autorizado e tolerado, com a cumplicidade dos adultos.
Na altura pouca coisa havia, os meios eram escassos. Mas nós divertiamo-nos bem com aqueles de que dispunhamos, com os meios de bordo.
Como não tínhamos
« confetti » , utilizávamos farelos com os quais « enfarelávamos » os colegas da escola ou as raparigas, quando atingíamos uma certa idade.
Outra da nossas brincadeiras favoritas : pegar numa metade de limão, esfregá-lo sobre uma panela preta (na altura, haviam muitas, pois a comida era preparada sobre a lareira), antes de o esfregar de novo pela cara das raparigas (ou rapazes).
O nosso passatempo favorito era o das « canecadas » : - o jogo consistia em lançar canecos velhos, bocados de louça partida, « testos »,e mesmo pedras quentes, para dentro das casas através das janelas, postigos ou toda entrada que estivesse aberta ; tudo isto com o fim de irritar as pessoas (As portas possuiam quase todas postigos na altura, que as pessoas deixavam abertos afim de haver ar fresco em casa). E no dia seguinte toda a gente ria e ninguém se « lembrava » de nada.
Também utilizávamos muito os espantalhos, confeccionados grosseiramente, mas que com a ajuda da escuridão nocturna, causavam medo às pessoas, que eram muito supersticiosas nessa altura.

vendredi 7 janvier 2011





Maldita noite negra na qual o Demónio
Circulava nas correntes de ar, ao grado do vento.
Partira do seu país, depois o Pandemónio
Com más intenções,meditando, a passo lento.

Fazia frio, nessa tenebrosa noite de inverno,
O vento assoprava,havia trovoada, chovia.
Portanto ainda bem muito longe do Inferno
Havia um ser humano que lentamente morria.

E este maldito espírito com toda a sua calma
Aproximou-se dele e sussurrou-lhe ao ouvido
« Se não queres já morrer, dá-me a tua alma
E eu darei-te tudo o que até agora não tens tido ».

O agonizante que naquele momento tanto sofria
Perguntou-lhe de uma maneira pouco natural,
Quem ele era, porque estava ali e que fazia.
Ao que ele respondeu ser o Príncipe do Mal.

Assim o moribundo deslumbrado, pediu-lhe então,
Saúde, muita fortuna e riqueza,muito bem-estar.
E ambicioso acabou por ceder a tanta tentação
Para finalmente nas mãos do Diabo assim terminar.

jeudi 6 janvier 2011

Ser superior, ou julgar-se


Que importância se crer alguém de Superior se ninguém o crê ? A superioridade em tanto que ser é-o realmente ou mera utopia ?
Duas questões, responder-me -ia alguém de senso comum, que terão razão de o ser e que paralelamente e paradoxalmente não o têm : que senso ? Passemos então e esqueçamos o ignorante julgar-se ele mesmo, porque mais cedo ou mais tarde compreenderá que se o ridículo não mata, fere. E as feridas morais, sentimentais fazem doer tanto…
Também ser ridículo para si mesmo não deveria incomodar desde que nada seja imposto a alguém. Armar-se em juiz e sacerdote da moralidade é mal aceite, não há nenhuma razão então para alguém se intitular moralizador de valores abstractos e incontroláveis em si mesmo. Julgar o outro : porque motivos a Inquisição findou realmente senão a falta de julgadores e de pacientes ? E ainda há quem se tente impor ? Não ! – Ninguém é superior a ninguém nem inferior tão pouco. Se alguém crê sê-lo, estará certamente errado.
Não é assim ? Então como é ?
Compreende-se que muita gente tenha algo a provar, por vezes tudo, e queira impor-se para impor aos outros, teses com argumentos que não sabe controlar e para se valorizar a ela mesmo, tudo em rebaixando o vizinho, porque este tem uma existência diferente. Porém, o vizinho proporciona por vezes surprezas incompatíveis para sua compreensão : Então, é a selva virgem, negra, inexplorada, o vazio, o zero.
Porém, a procura do perfeito é certamente uma virtude e melhorar o ordinário é necessário à progressão do pensamento humano, à extensão de todas as artes, ciências, técnicas. E a importância é nula se ninguém nos aprovar, porque finalmente a crítica também é constructiva e progressista.
Todos nós sabemos que os sentimentos de superioridade, inferioridade e outros existem e fazem parte de complexos que geram atitudes sentimentais, ambientais. Eles nascem nas profundezas do subconsciente, proliferam, para surgirem finalmente simultâneamente dispersos, tais vírus, em todas as artérias fundamentais do mecanismo neurótico humano. A vaidade, por vezes necessária, é entretanto uma simples resultante da agitação perturbadora causada por estes e outros factores semelhantes.
As atitudes humanas são oriundas pois e geradas por mecanismos complexos. Devemos pois desconfiar de nós próprios e adquirir as disposições adequadas afim de nos manter na linha recta, no caminho certo. Uma vigilância aguda e uma correcção frequente dos nossos actos são indispensáveis à manutenção do bom sentimento e do bom comportamento de todo ser humano.
Antes de humilhar alguém, acto ridículo, lavemos a nossa sujidade e se queremos realmente brilhar, façamos para isso, em nos ilustrando, acendendo nossas luzes afim que elas brilhem e sejam vistas de longe. Tapar a vista ao vizinho é pura utopia e não demonstra outra coisa que mesquinhismo , e pequenez de espírito.

Starfire and candles