samedi 13 novembre 2010

Caligrafia...

Parece que as cartas manuscritas e enviadas pelo correio normal, estão em vias de desaparecimento. Pelos vistos, toda a gente utiliza o correio electónico e outros meios de comunicação afim de se enderçar a familiares e outros correspondentes. O modernismo facilitando as coisas, não há mais tempo a perder. O avião é um meio de viajar rápido e as longas distâncias deixaram práticamente de o ser. Telefonar para o estrangeiro é gratuito ou quase. E a internet permite contactar imediatamente não importa quem, na outra ponta do Mundo. Mas há algo que desaparece simultâneamente,sem falar da nostalgia: o romantismo, a poesia, a caligrafia,artes e ingredientes essenciais da vida.
Todos os documentos antigos eram redigidos manualmente, e os seus autores, desde o mais modesto escriturário até ao maior edil da província ou do districto, eram autênticos artistas na matéria. Cada um possuia o seu estilo pessoal e aplicado. Todo acto do Registo Civil era uma verdadeira obra de arte, peça única agradável a ver.
O calor humano desaparece pouco a pouco afim de ceder o lugar à frieza do robotismo ; e as pessoas olvidam o humanismo. Os mais novos, só havendo conhecido o meio ambiental ao qual foram e estão acostumados, ignoram totalmente o que são, crêem que sempre assim foi e que assim o será. Se eles conhecem a fortuna o que é bom nesta vida, todo o conforto (o que não é nada mau para eles),há algo de que carecem, que lhes falta totalmente : esta arte de viver de outrora, com pequenos pormenores que davam coração e alma à existência.
Talvez mais tarde,ulteriormente, venham a criticar a geração anterior à sua, tenham saudades da mocidade, critiquem a actualidade do momento, encontrem outros argumentos. E porque não uma retrospectiva do passado, com um novo condicionamento das mentalidades moralistas, uma volta em força ?
O progresso não impediria a utilização do melhor dos recursos humanos, pelo contrário, ajudá-la-ia, se os nossos maiores “regedores”se ocupassem mais da moralização da juventude, embrião das futuras gerações.

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